Apaixonados por aeronaves se reúnem semanalmente e colorem os céus da região com seus ultraleves
Piloto de avião é uma daquelas profissões que nem todos pensam ser capazes de seguir. Enquanto alguns dizem que é caro tirar o brevê, outros afirmam que aprender tantas técnicas e regulamentos é uma tarefa complicada. Sem falar nos que morrem de medo de altura. Situado em Jacarepaguá, o Clube Esportivo de Ultraleves (Ceu) parece ter sido criado para provar que voar não é tão difícil quanto parece.
Inaugurado em 1982 numa área verde de cerca de 150 mil m², o espaço reúne 180 sócios que passam mais tempo no ar do que em terra. Nos fins de semana, o clube chega a registrar mais de 500 movimentações, entre pousos e decolagens. Com três hangares com capacidade para 130 aeronaves, o clube é considerado um ponto de referência quando o assunto é qualidade de infra-estrutura e amizade entre os pilotos.
- Os membros do clube colecionam muitas lembranças e histórias curiosas. É como se fosse uma grande família, unida pela paixão por voar - brinca Joaquim Gomes, 60 anos, diretor administrativo do clube e morador da Barra.
O empresário é um exemplo de que nunca é tarde para adquirir um novo hobby. Apesar de alimentar o desejo de voar desde menino, acreditava ser um sonho impossível. A incerteza acabou quando visitou o Ceu pela primeira vez, há apenas três anos: conheceu as instalações e não pensou duas vezes em tornar-se aluno de uma das duas escolas de pilotagem existentes no clube.
- Percebi que voar era possível e não quis esperar nem mais um segundo. Adquiri um título de sócio com direito à vaga e, há dois anos, comprei meu primeiro avião - orgulha-se Joaquim, que possui um P-96 Golf, fabricado em 2000 pela empresa italiana Tecnan.
O ultraleve de Joaquim é apenas um exemplo das preciosidades guardadas nos hangares do espaço. O mais novo xodó do clube é uma réplica fiel do famoso Bücker alemão que foi construído pela EDRA nos anos 90. O Bü 131-A - como a versão inicial de produção foi chamada - tornou-se um grande sucesso comercial na década de 30, não só nas escolas civis de vôo da Alemanha, mas também para a recém-criada fábrica Luftwaffe, ávida por aviões de instrução.
- Para garantir o conserto e a manutenção dos aviões, o clube possui duas oficinas voltadas para as áreas de mecânica, pintura e eletrônica. É um patrimônio que precisa ser preservado - ressalta Joaquim.