|
|
Rali colorido no meio das nuvens
Campeonato de ultraleves reúne 31 amantes do esporte, que partiram de Jacarepaguá em direção a Piraí
Paula Dias
[25/OUT/2004]
Quem olhou para o céu azul, na manhã de sábado, percebeu uma movimentação diferente entre as nuvens. Os responsáveis pelo espetáculo foram 31 ultraleves que decolaram da pista do Clube Esportivo de Ultraleve (Ceu), próximo ao Autódromo de Jacarepaguá, em direção à Fazenda Ribeirão, no município de Piraí. Tamanha sincronia não aconteceu à toa: a 2ª edição do Rali de Navegação Aérea reuniu pilotos e amantes da aviação numa disputa onde o importante é pôr em prática técnicas de vôo adquiridas ao longo de anos de treinamento.
O campeonato é movido por um clima de camaradagem de dar inveja a quem não pertence ao grupo de pilotos. Ex-funcionários de empresas brasileiras de aviação, empresários e profissionais de diferentes segmentos são unidos por um prazer em comum: voar. Por isso decidiram organizar a disputa, que inclui técnicas de decolagem e pouso, lançamento ao alvo e precisão de navegação.
Após passarem pela 1ª etapa - na qual tiveram que acertar sacos de areia em alvos no chão -, a segunda fase, realizada no sábado, foi baseada em procedimentos de localização. Cada piloto cumpriu diferentes coordenadas aéreas até Piraí, com tempos determinados para pouso e decolagem. O objetivo era chegar ao destino tendo cumprido o plano de vôo.
- Além de estimular a renovação do esporte, é uma forma de encontrar os amigos e de pôr em prática nossa paixão por voar - disse Joaquim Gomes, 60 anos, diretor administrativo do clube.
Os pilotos parecem encarar o campeonato com seriedade e devoção. Enquanto o dentista José Ribamar Cerqueira, 27 anos, afirma alimentar a paixão pela aviação desde menino, o aposentado Paulo Lapenda, de 57, diz não saber quais motivos o levaram até o curso de treinamento:
- Trabalhei na Marinha e também como petroleiro na Petrobras. Duas profissões que não têm nada a ver com o vôo. Ainda assim me interessei pelo esporte e fiz o curso. Quando voei pela primeira vez, há 10 anos, percebi que estava fadado a pilotar para sempre. É um vício maravilhoso - diz Paulo, que não abre mão de seus passeios semanais, sempre nos fins de tarde, para admirar o pôr-do-sol.
Para tirar o Certificado de Piloto de Recreio, exigido pelo Departamento de Aviação Civil (DAC), os interessados precisam enfrentar um curso de treinamento teórico e mais 30 horas de vôo em uma das duas escolas preparatórias oferecidas pelo clube - a Ultra Pilot e a Alfa Bravo. O curso completo, que permite aos aprendizes pilotar ultraleves experimentais que comportam até 750 kg, custa, em média, R$ 7 mil. Para quem achou o preço salgado, o valor de mercado de uma aeronave também não anima muito: cerca de US$ 60 mil.
- Muitos acham que é uma atividade cara, mas a relação-custo benefício vale a pena. O uso de materiais resistentes e modernos nos aviões de hoje faz com que sejam mais econômicos, eficientes e velozes. Com R$ 230 é possível alugar um dos ultraleves do clube por uma hora e fazer um passeio maravilhoso por lugares onde não imaginamos que seja possível chegar em alguns minutos - lembra o analista de sistemas e morador de Jacarepaguá Ivo Ramos, 57 anos, que gosta de ir de avião até Saquarema ou Maricá. O Ceu fica na Av. Embaixador Abelardo Bueno, s/nº, Jacarepaguá. Informações pelo telefone 2421-2323.
|
|
Copyright © 1995, 2000, Jornal do Brasil.
É proibida a reprodução
http://www.jb.com.br/jb/papel/cadernos/barra/2004/10/24/jorbar20041024007.html
|