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Sexo na rede e na cabeça
Erotismo em vídeos, em papel ou na internet: tudo no livro de Pedro Doria
Luís Pimentel
[30/MAR/2006]
Pedro Doria não inventou a internet, muito menos o sexo. Mas foi um dos primeiros jornalistas brasileiros a unir os dois assuntos, ver o quanto um estava intimamente (!) ligado ao outro e tratá-los com o devido capricho. Foi um pioneiro nas investigações das possibilidades da comunicação via rede e é autor do primeiro livro sério e verdadeiramente informativo sobre o tema.
Talvez nem imaginasse, num primeiro momento, o quanto essas possibilidades poderiam se ampliar e se transformar também num perigosíssimo irradiador de lixo jornalístico e literário, com divulgações irresponsáveis de tantos textos e imagens apócrifos.
Pedro não tem culpa de nada, claro. E o seu livro, recém-lançado pela Ediouro, Eu gosto de uma coisa errada, presta um grande serviço a curiosos e estudiosos do sexo na rede (ou no chão, na cama, no sofá, no computador), com a reunião de matérias jornalísticas que garantiram ao autor respeito nessa área.
A onda dos blogs (hoje não mais uma onda, mas uma tsunami), por exemplo, começou a ser detectada, radiografada e vasculhada por Pedro Doria muito antes da febre e do modismo. Por ali ele encontrou o ''casal explícito'' que publicava em seu pontocomqualquercoisa textos e fotos picantes, procurando mulheres para uma noite de prazer. Pedro transformou a tara alheia em matéria de jornal, para tara, deleite e informação do leitor.
Eu gosto de uma coisa errada mostra que Pedro foi um dos primeiros a descobrir esse fenômeno de vendas (graças ''às próprias vendas'', claro) chamado Bruna Surfistinha, que fez um sucesso enorme na internet entre aqueles que pesquisam sites dedicados a garotas de programas. Lá estava o blog da Bruna, onde ela contava suas experiências (?) sexuais com experientes e inexperientes de todas as idades e tamanhos.
A matéria, publicada no site NoMínimo (onde foram publicadas 13 das reportagens do livro), traça de maneira deliciosa o perfil da moça (''era uma menina muito séria, ensimesmada. Jamais reticente: não evitava perguntas; no máximo, pedia que uma coisa ou outra não fosse publicada''), muito antes de ela tornar-se uma superstar do sexo, ganhando capas de revistas femininas, masculinas e até de cadernos culturais.
O sexo dá o tom nas mais diferentes histórias com as mais diversas pessoas, a internet figura em primeiro plano, mas o texto de Pedro Doria é que impõe o toque de classe do livro. Suas narrativas são precisas e elegantes (''Está seco na Colina do Sol. A grama amarelada é quase palha, o termômetro parece não baixar dos 35 nem à noite. Nos dias anteriores, um foco de fumaça provocou uma corrida de carros pela vila à procura de sua origem'') e a descrição de personagens não tem a menor maquiagem: ''Francesca Collini é uma graça de moça, cabelos negros e curtos, cara de travessa''.
Pedro, que continua escrevendo para sites, jornais e revistas, juntou neste livro material originalíssimo e curioso. Um gol de placa.
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