Terreirão do rock

Grupo Mané Sagaz recebe Nelson Sargento no Odisséia

Nelson Gobbi

[06/DEZ/2005]

O ponto onde as vias do rock e do samba se encontram é uma esquina musical invariavelmente visitada por artistas brasileiros, desde que foi fundada pelo violão do então Jorge Ben, com a batida do sambalanço. O mais novo freqüentador deste espaço sonoro é o grupo Mané Sagaz, que usa uma fórmula irreverente para misturar o batuque tradicional aos rifs de guitarra.

Formada há três anos, a banda conquistou o aval do mangueirense Nelson Sargento. Juntos, eles dividem o palco do Teatro Odisséia hoje, às 20h30, durante o festival Umbigo de Fora, em que também se apresentam Táxi Tóxico, Starving Blues Quartet, Marimbondo Sossegado e A Outra. Trata-se de um encontro para celebrar a diversidade musical carioca.

- A mistura com o samba é uma maneira de deixar o rock mais malandro. A referência inicial da banda vem do rock, mas aos poucos percebemos que estávamos tocando algo que não ouvíamos mais. Depois que encontramos esse caminho, passamos meses tentando desenvolver uma forma de fazer a transposição entre os gêneros, passando da percussão à bateria, do violão às guitarras - explica Marcos Bassini, vocalista do Mané Sagaz, que conta também com os guitarristas Euler Costa e Paulo Afonso, o baixista Bruno Mazza, o baterista Carlos Sales e o percussionista Bibo Bassini.

Para Nelson Sargento, a fusão de dois gêneros aparentemente heterogêneos pode garantir mais público ao samba.

- É preciso saber conviver. Os mais radicais podem não ver essa mistura com bons olhos, mas devemos partir do princípio de que a música é universal. Tenho um bom trânsito com a juventude. Quando a garotada me vê junto com uma banda de rock, o samba ganha mais adeptos - conta Nelson Sargento, que interpreta no show o clássico de Cartola As rosas não falam.

No show, o Mané Sagaz apresenta as faixas de seu segundo EP, Rock bancando o samba, como Vitamina C, Vai cuidar da tua nega e Manuela e o beija-flor. O grupo - cujo nome foi inspirado na canção Homenagem ao malandro, de Chico Buarque - espera reunir as músicas dos dois EPs gravados de forma independente em um disco.

- Nunca levamos esse material para um produtor ou diretor artístico avaliar, apesar de contarmos com uma resposta positiva do público. A nossa idéia agora é ver se as gravações que fizemos podem ser aproveitadas, junto com outras músicas novas, que incluiríamos em um CD - planeja Marcos.

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