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Lenda viva do grunge

O carismático Eddie Vedder comanda noite histórica do Pearl Jam no Rio

João Bernardo Caldeira

Daniel Ramalho
Eddie Vedder,  simpático e emocionado na Praça da Apoteose:  promessas de voltar ao Brasil

Eddie Vedder, simpático e emocionado na Praça da Apoteose: promessas de voltar ao Brasil

Depois do fiasco de público e de organização do festival Claro Q É Rock, semana passada, houve quem dissesse que carioca não gosta de rock. O show histórico do Pearl Jam, anteontem, na Praça da Apoteose, mostrou que essa avaliação era equivocada. Os 40 mil ingressos já estavam esgotados desde sexta-feira. Tratava-se da primeira apresentação no Rio do grupo de Seattle, um dos destaques da cena grunge dos anos 90, ao lado de Nirvana e Smashing Pumpkins. O último dos cinco shows que a banda fez no Brasil, em sua primeira passagem pelo país, correspondeu plenamente às expectativas dos ansiosos fãs.

Simpático, visivelmente emocionado e um tanto alto pelos goles de vinho que tomou ao longo da noite, o cantor Eddie Vedder conquistou o público com seu jeito despojado. Completamente à vontade, leu diversas frases em português e saboreou cada momento com tranqüilidade, como se não fizesse questão de que o tempo passasse. E anunciou à platéia sua intenção:

- É nossa última noite no Brasil, então vamos tentar fazer dela a melhor.

A temperatura da noite começou alta, com a boa performance do grupo americano Mudhoney, pioneiro do grunge. Já nos primeiros acordes do show do Pearl Jam a massa mostrou que sacudiria corpo e alma sem dificuldades. E neste grupo estavam não apenas os localizados junto ao palco, mas também os que assistiam das duas arquibancadas lotadas, ou bem lá de trás, próximos da área vip.

Ficou claro também que os fãs não esperavam apenas os megahits. Do the evolution, Animal, Daughter e Tort foram algumas que ecoaram com força. E Even flow, o primeiro sucesso da história do grupo, do álbum de estréia Ten (1991), fez o público vir abaixo, estimulado também pelas falas de Vedder, sempre em português:

- Aqui desfilam as escolas de samba? Este ano o rock vai desfilar.

Ninguém tinha do que reclamar quando Vedder, Mike McCready (guitarra), Stone Gossard (gitarra), Jeff Ament (baixo) e Matt Cameron (bateria) deixaram o palco. Mas ainda pairava um sentimento de dúvida e leve temor entre os fãs. Será que haveria tempo para o Pearl Jam tocar no bis os esperados hits Black, Alive e Jeremy?

Betterman e Last kiss agradaram no bis, no qual a platéia se divertiu até com a balada que Vedder tocou sozinho no ukelelê, um pequeno violão havaiano. Também houve covers como I believe in miracles, dos Ramones, e Baba O'Riley, clássico do The Who, que encerrou a noite.

- A próxima vez que tocarmos aqui será melhor, porque George W. Bush não será mais presidente - disse o cantor, espinafrando o chefe de Estado americano, ao mesmo tempo em que prometia retornar.

Depois de sair do palco pela segunda vez, a banda ainda não tinha tocado os três clássicos esperados, e não havia como saber se o Pearl Jam manteria seu comportamento habitual, de não tocar todos os seus sucessos numa mesma apresentação. Mas o clima era de festa e, já no segundo bis, Vedder comandou a seqüência de sucessos: Alive, Black e Jeremy. Ele ainda se enrolou numa bandeira do Brasil estampada numa canga de praia, fez juras de amor ao Brasil e ao Rio e se despediu, às 23h15, duas horas e 25 minutos depois do início do show, em vagarosa e destacada comoção:

- Paz e amor.


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[06/DEZ/2005]


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