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Apaixonado por causas coletivas
[25/JUL/2004]
Intelectual não era um título que Hélio Pellegrino carregasse como uma coroa, mas uma maneira de legitimar suas indignações como protestos que fizessem barulho na sociedade. Como lembra Paulo Pires, Hélio usou prestígio e autoridade pessoais na defesa de causas coletivas.
Para a neta mais velha de Hélio, o sentido de resgatar, hoje, as reflexões escritas por ele para publicações como o extinto Correio da Manhã ou endereçadas a amigos é uma forma de resgatar a generosidade do avô.
- Ele foi um humanista, um tipo de sujeito cada vez mais raro, que foi à praça pública lutar, tinha ideais e uma consciência social muito profunda. Foi capaz de enxergar o outro em toda a sua maluquice e continuar a amá-lo - diz Antonia, que, em 31 de dezembro de 1999, recebeu uma carta que Hélio lhe escrevera em 1980 e fora guardada com recomendações expressas de ser lida apenas na virada do século. Ela cita de cor uma frase da carta: ''Somos servidores, elos de um movimento cuja razão última é mistério''.
- O nascimento dele abriu a possibilidade para o meu e, nesta corrente, retribuo meu nascimento com este livro, possibilidade de ele ficar por mais tempo por aqui, de perdurar- reflete.
- Ele era uma pessoa sem começo, meio e fim - afirma o jornalista e poeta Wilson Figueiredo, o Figueiró - assim apelidado por Hélio - amigo dos tempos de Belo Horizonte e fonte fundamental para a sua biografia.
Segundo Wilson, o poeta não estava preparado para morrer; não da maneira que um autor faria, deixando pilhas de cadernos prontos para a publicação.
Em seu catolicismo reformulado, Hélio compreendeu que proclamar a ressurreição da carne é um ato revolucionário: ''Morte é passagem, é nascimento, é ruptura catastrófica da forma, é imersão no tempo e na fuga vertical que o constitui'', escreveu. ''A ressurreição da carne nos devolve a onipotência primitiva, o eu-ideal que reatura a plenitude cósmica anterior ao nascimento.''
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