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O brilho efêmero
[17/MAI/2004]
- Vários famosos passavam pelo povo que juntou na rua pra vê-los, mas só Malu levantou a galera. Roberto Carlos é indiscutível, tem sobrevida na memória - avalia Xico Sá.
Em São Paulo, as celebridades podem ser um pouco diferentes das avistadas em solo carioca: longe dos estúdios de gravação globais, o mais comum mesmo é que empresários, hostesses de boate e VJs da MTV causem frisson:
- O Johnny Luxo (VJ) é a Malu Mader dos paulistas - avalia Xico.
No paraíso descrito no livro, todos parecem ter a sigla vip - very important person (pessoa muito importante) - tatuada na testa. O que não quer dizer que ela ficará lá para sempre: de repente, podem virar outro tipo de vip - very invisible person (pessoa muito invisível, ignorada por todos). A última parte de Divina comédia da fama é dedicada ao inferno, à queda de quem já foi célebre de volta ao anonimato.
Na descida às labaredas, a mesma pessoa que antes atraía os cliques dos fotógrafos passa a ser desprezada pelo mesmo maître que a paparicava, pelos fãs e flanelinhas que pediam autógrafo, pelas assessoras de imprensa que a assediavam. Mas há maneiras de voltar a brilhar, mesmo que por pouco tempo.
- Hoje, arrumar o nariz no cirurgião plástico tem a mesma importância que fazer uma novela. Rende foto, fofoca.
O livro é permeado por segredinhos como esse, que os mais hypados (do glossário: hype = badalação do momento, em voga) preferem não compartilhar. E se isso fizer do livro um manual para o brilho efêmero?
- Pode levar alguém a desistir da fama ou a achar que não é tão infernal assim tentar - conclui Xico, que dedica o livro a José Costa, o ghost-writer do romance Budapeste, de Chico Buarque: ''que nunca careceu pisar em chão de estrelas''.
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