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As caras do Brasil

Sucesso nas vendas, a revista 'Caras' ajudou a criar no Brasil uma cultura regida pelas celebridades

Lula Branco Martins

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Vera Fischer e o filho

Vera Fischer e o filho, favoritos da revista: capas com mulheres vendem mais

O mundo era diferente em 1993. Pelo menos o mundo dos famosos. No fim daquele ano, mais exatamente no dia 12 de novembro, era lançada a revista que ajudaria a mudar o conceito de sucesso no país, influenciando a criação e o fortalecimento de uma cultura da celebridade. Com a imagem feliz do casal Roberto Marinho e Lily de Carvalho na capa e preço de Cr$ 750 (cerca de R$ 11), saía a primeira Caras, inspirada em revista argentina de mesmo nome. Era o começo de uma história que agora comemora seus 10 anos. A editora Abril já pôs na banca, quarta-feira passada, a edição de aniversário - um monstro de 488 páginas e quase um quilo de papel colorido, vendido a R$ 5,90. Daqui a alguns dias sai outro mimo para os leitores: a compilação de todas as 523 capas da revista. Na peça publicitária, esta edição vem sendo chamada de ''o tapete vermelho do Brasil''.

Quem é famoso sabe: pisar este tapete, ou seja, aparecer na Caras é muito bom. Profissionais da mídia, como assessores de imprensa e produtores culturais, enxergam-na como uma revista ''do bem''. Não tem como base a fofoca ou o escândalo - gosta disso, claro, e seus repórteres repercutem fatos às vezes nada agradáveis sobre a vida das celebridades, mas não parece ser esta a prioridade (leia quadro sobre bastidores). A pedra de toque na produção da revista é a exposição da intimidade das pessoas famosas. O artista (ou o banqueiro, ou o jogador de futebol, ou o piloto de corridas, quem seja) não pode receber a equipe de Caras apenas em sua sala de estar. Tem que lhe apresentar o quarto, a cama onde repousa a almofada favorita. O ideal é deixar que tirem foto até do banheiro - e ainda hoje é lembrada como uma das glórias da revista a matéria que mostrava o apresentador Cid Moreira dentro da banheira, de pernas para cima.

No início, houve quem apostasse que o novo periódico teria vida curta. Mas, dez anos depois, o que se vê é que a revista não só sobreviveu como deu filhotes: publicações dedicadas ao mundo das celebridades, como IstoÉ Gente, Quem, Chiques e Famosos e muitas outras enchem as bancas de jornais.


[16/NOV/2003]


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