Livre com segurança e economia

País poderá economizar mais de US$ 700 milhões por ano ao trocar o software proprietário pelo livre

Luciana Navarro

[26/MAR/2006]

O governo federal investe na utilização de software livre. A principal justificativa apresentada pelos defensores da tecnologia é a economia com a possibilidade de não pagamento de licenças para o desenvolvimento dos sistemas. No Distrito Federal, o impacto da migração do software proprietário para o livre pode reduzir os custos de quem opta pela novidade. As empresas que vivem da venda de softwares podem ser obrigadas a se adaptar aos novos sistemas ou achar algo melhor para comercializar.

De acordo com Djalma Valois Filho, assessor do diretor-presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI) para assuntos de software livre, a utilização dessa tecnologia não gera apenas uma economia, mas também traz mais segurança.

- Usando software livre, temos produtos que podem ser auditados a qualquer momento. Isso gera mais segurança. O software proprietário, por outro lado, não permite que façamos isso - explica.

Valois completa dizendo que, no software proprietário, o usuário não sabe como entrar no sistema.

- O software livre permite isso. Os técnicos podem aprender e implantar soluções livres sobre algum problema - enfatiza.

Para Sérgio Rosa, diretor do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), a principal vantagem da utilização da tecnologia é a autonomia.

- Hoje ainda somos muito dependentes do fornecedor. Com a migração para o software livre, o nosso maior ganho será na autonomia. Além disso, teremos mais opções de escolha na hora de comprar soluções - ressalta Sérgio.

De acordo com Valois, o Brasil paga, por ano, US$ 1 bilhão de licença para empresas de informática do mundo inteiro. Com a migração de todas as máquinas do governo para softwares livres, esse valor deve ser reduzido em cerca de 70%. A Microsoft não deve perder tanto com a mudança. As compras feitas pelo governo representam apenas 6% do faturamento da empresa no Brasil.

Apenas com a licença dos programas usados para a operação do Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi) e do Sistema Integrado de Administração de Recursos Humanos (Siape), o Serpro gasta R$ 10 milhões por ano. A migração do Siape e do Siafi para plataformas de softwares livres é a mais difícil dentro da empresa. Em setembro ou outubro, um programa piloto será testado nos dois sistemas. Se a experiência der certo, Sérgio acredita que será possível completar a migração em dois anos.

- Caso contrário teremos de avaliar onde teremos problemas - afirma.

Segundo o diretor do Serpro, a maioria das estações de trabalho está convertida. Apenas aqueles empregados que atuam no desenvolvimento de sistemas ainda precisam de ferramentas de software proprietário.

Além do Serpro, grandes empresas públicas brasileiras estudam as estratégias de mudança. O Banco do Brasil anunciou, no início do mês, que até o fim do ano quer substituir completamente a utilização do pacote de programas Office, da Microsoft, por softwares livres.

O banco espera economizar R$ 13 milhões com a migração para o pacote de programas OpenOffice, da Sun Microsystems, que não exige pagamento de licença de uso. A instituição financeira tem, atualmente, 20% da rede implementada para o uso do OpenOffice, o percentual equivale a 23 mil computadores do banco.

De acordo com o assessor do ITI, o Exército Brasileiro também optou pelo uso de softwares livres. Valois acredita que em mais quatro anos, o governo consiga implantar a tecnologia em todos os seus órgãos e empresas.

- O software livre está sendo implantado paulatinamente. Isso varia de acordo com os recursos financeiros e humanos de cada empresa - afirma.

Para Valois, uma das principais vantagens de utilização do software livre é a chance de criar mecanismos de aprendizado para os técnicos das empresas.

- Essa tecnologia pode ser bem assimilada por todos. O governo tem essa preocupação de torná-la mais acessível - diz Valois.

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