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Um show de estilos e críticas sociais

Mesclando rock, reggae, funk, bossa nova e samba, O Rappa apresenta sua músicas de protesto amanhã no Nilson Nelson

Paula Porto

A fase é gloriosa para os cariocas de O Rappa. Após ultrapassar a marca de 250 mil cópias vendidas com o CD e DVD O silêncio que procede o esporro e viajar pelo Brasil, a banda se prepara para uma turnê pelos Estados Unidos, Canadá e Japão. Por isso, quem não assistiu ao lançamento do quinto CD do grupo, em julho no Porão do Rock, terá a chance em única apresentação amanhã, a partir das 21h30, no Ginásio Nilson Nelson, pelo projeto Rock Brasil.

Com cenário assinado por Zé Carratu e iluminação de Marcos Olívio e Thomas Hieat, o quarteto - formado pelo vocalista Marcelo Falcão, o guitarrista Xandão, o baixista Lauro Frias e o tecladista Lobato - apresenta composições de protestos que se destacam pela agressividade e realismo das letras. Aos sons superpostos, texturas eletrônicas e marcações pesadas que passeiam pelo rock, reggae, funk, O Rappa promete mesclar ''praias imprevistas'' - como ressalta o tecladista Lobato - com bossa nova, samba, arranjos de violinos e violoncelos. Tudo com bastante ''peso e ginga''.

- Mesmo com a saída de Yuca e a morte de Tom Capone, estamos musicalmente completos. Os arranjos estão complexos, sempre ricos - afirma o tecladista Lobato, adiantando uma homenagem ao baterista Marcelo Yuka com a canção My Brother.

No repertório, composições como Reza Vela, Rodas do Cotidiano, o samba Maneiras - de Silvo da Silva, sucesso antigo de Zeca Pagodinho - e a regravação de Deus Lhe Pague, de Chico Buarque.

- A música do Chico é fortíssima e a letra tem tudo a ver com a temática que a gente trabalha. Essa obra prima da fina ironia cai como uma luva no repertório, com humor amargo, percepção trágica que só nos resta agradecer a Deus e sair de fininho - diz Lobato, relacionando os versos da canção aos eternos questionamentos sociais das músicas do grupo.

No entanto, para o tecladista, o ápice do espetáculo fica por conta de O Salto - dedicada ao poeta Waly Salomão - e Óbvio - que tem a participação da rapper argentina Malena.

- O Salto tem um tom profético na letra e nos arranjos, de uma epicidade quase bíblica, apocalíptica, com um refrão que lembra uma das pragas do Egito [E regaram as flores no deserto / E regaram as flores com chuvas de insetos]. A canção faz você acreditar que a vida vai muito além da vã filosofia. A galera delira - garante.

Os hits Lado B Lado A, Me Deixa, Hey Joe, Miséria S.A. e A Feira completam o show. As bandas brasilienses Surya e Manofatura abrem a noite.

Serviço
O Rappa. Hoje, às 21h30, no Ginásio Nilson Nelson. Ingressos a R$ 80 e R$ 40 (camarote), R$ 50 e R$ 25 (pista) e R$ 30 e R$ 15 (arquibancada). Censura: 14 anos. Informações: 364-0000.


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[12/NOV/2004]


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