A 1ª Turma Criminal do Tribunal de Justiça do DF manteve ontem a condenação contra o ginecologista Vasco Rodrigues da Cunha, por ter cometido crime sexual contra uma de suas pacientes em 1989. Aos 67 anos, o médico foi sentenciado a dois anos e três meses de prisão - possivelmente em regime aberto - pelo crime de ''conjunção carnal com mulher honesta mediante fraude''. Mesmo já em segunda instância, o processo, que se arrasta há 15 anos na Justiça, ainda pode permanecer sem fim por algum tempo.
O crime, supostamente cometido dentro do consultório do médico, no antigo hospital Golden Garden, no Lago Sul, chocou a cidade à época. Maria Tália da Silva, então com 23 anos e virgem, consultava pela primeira um ginecologista. Desinformada, pensou que faria parte do procedimento da consulta a atitude do médico, que teria se aproveitado da inocência da paciente para manter com ela relação sexual.
Poucas horas depois, em exame no IML, laudo pericial apontava rompimento do hímen da paciente nas últimas 24 horas. Os indícios para a condenação do médico vieram de contradições em seu próprio depoimento. Vasco afirmara que nunca uma paciente sua havia sofrido rompimento himenal em consulta. Mas Maria Tália teve.
O ginecologista também disse que ela chegara ao consultório com suspeita de estar grávida do namorado. Mas os desembargadores se questionaram como uma pessoa poderia ter o hímen rompido em relação sexual e, menos de 24 horas depois, procurar um médico para saber se estava grávida.
Condenado anteriormente em primeira e em segunda instâncias, o médico conseguiu anulação da segunda fase do processo pela Câmara Criminal porque o desembargador que o condenara, Everards Mota e Matos, havia atuado como promotor de acusação na primeira fase do processo. Por isso o caso teve de ser novamente analisado pela 1ª Turma Criminal. E ainda pode ter novos desdobramentos no TJ, porque a sentença não foi unânime. Um desembargador decidiu pelo cumprimento da pena em regime semi-aberto. Outro, em regime aberto. E o terceiro absolveu Vasco. Por isso, o ginecologista ainda pode recorrer da condenação na Câmara Criminal.