Traficantes driblam até o Sivam, diz deputado

[30/JAN/2006]

BRASÍLIA - Os traficantes de armas recorrem a várias técnicas para abastecer o crime organizado no Brasil. O deputado Moroni Torgan diz que os bandidos conseguem driblar até o Sistema de Vigilância da Amazônia, o Sivam, que faz o controle aéreo das fronteiras.

Segundo Moroni, os traficantes contrabandeiam as armas pelas fronteiras e percorrem até 100 quilômetros dentro do território nacional, para então usar pistas clandestinas para despachar o material em vôos para o Rio e São Paulo.

- O Sivam pega os aviões que vêm de fora do Brasil. Os vôos internos não sofrem maiores controles, não há essa preocupação - diz Moroni.

Pelas informações recebidas pela CPI, muitos vôos contornam as áreas de maior fiscalização. Moroni recebeu denúncias sobre aviões que saem do Brasil, passam pelas Guianas e chegam ao Suriname. De lá, fazem o percurso até a Colômbia. Muitos destes aviões, diz o deputado, também contornam o Atlântico e entram no Brasil pelo Nordeste.

A CPI do Tráfico de Armas não recebeu nenhuma denúncia ou relatório apontando o envolvimento das Forças Armadas do Brasil no tráfico de armas. Durante a CPI do Narcotráfico, porém, foi identificado um esquema de tráfico de drogas em aviões da Força Aérea Brasileira (FAB).

- O que dá para dizer é que precisamos de uma fiscalização mais atuante por parte das nossas Forças Armadas sobre os armamentos. A fiscalização é ainda muito débil. O tráfico de armas na nossa fronteira está praticamente liberado - diz Moroni.

Para o deputado, é necessário aumentar o efetivo da Polícia Federal e da Receita Federal nas fronteiras. Ele também defende maior integração da Marinha, do Exército e da Aeronáutica no trabalho de repressão ao tráfico de armas.

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