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Cassações em série
BRASÍLIA -
O plenário da Câmara dos Deputados tende a manter as decisões aprovadas no Conselho de Ética sobre os processos de cassação vinculados ao suposto esquema do mensalão, segundo afirmaram líderes partidários ontem.
- O que vier de recomendação pela cassação não será perdoado no plenário. Só poderá escapar se o relatório do Conselho pedir a absolvição - disse o deputado Pauderney Avelino (AM), vice-líder do PFL.
Nos três processos julgados até agora, os parlamentares acataram em plenário as determinações do Conselho.
Roberto Jefferson (PTB-RJ) inaugurou a lista. Ele foi cassado em 14 de setembro por denunciar, sem provas, a suposta operação de compra de votos. Depois veio o deputado Sandro Mabel (PL-GO), absolvido nas duas instâncias da acusação de oferecer à deputado Raquel Teixeira (PSDB-GO) dinheiro para que ela trocasse de partido.
O terceiro foi José Dirceu (PT-SP), condenado a ficar inelegível por oito anos, o que na prática chega a dez anos, pelo calendário das eleições. Foi acusado de ser o mentor intelectual do escândalo do mensalão.
O líder do PSB, deputado Renato Casagrande (ES), vai na mesma linha. Aliado do governo, ele percebe a Câmara menos tensa após a cassação de Dirceu, mas acrescenta: a tônica das próximas votações também levará em conta a preservação da imagem da Câmara.
- A dinâmina das votações vai continuar sendo pela preservação da imagem da Câmara, mas com uma tranquilidade maior, porque não temos mais uma lâmina no nosso pescoço, pois o José Dirceu foi cassado - argumentou Casagrande.
Segundo ele, a expectativa é de que a Casa vote mais três processos de cassação até o fim do ano. Os outros nove do esquema do mensalão ficariam para janeiro e fevereiro de 2006, na possível convocação extraordinária do Congresso. Ontem, o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), afirmou, em Porto Alegre, que ''poucas instituições no Brasil investigariam com tanto rigor e exporiam tanto suas mazelas''. - Não sei qual instituição ficaria de pé durante 15 dias com uma investigação tão profunda quanto esta que a Câmara está fazendo.
A respeito de críticas aos processos de cassação, ele os defendeu como uma forma de a Câmara se depurar, em um processo que ''é político'' e, portanto, não deve ser comparado aos de tribunais da Justiça comum.
De acordo com Rebelo, ainda serão votados ''três ou quatro'' processos de cassação neste ano, além de outras pautas.
A respeito da cassação do ex-deputado José Dirceu (PT-SP), a quem definiu como ''a segunda liderança política mais importante'' do atual governo, ele preferiu não opinar.
- Presidi o julgamento e vou presidir outros ainda. Não cabe a mim falar sobre ele - argumentou.
Aldo Rebelo afirmou, ainda, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ''será candidato forte à reeleição, se assim pretender''.
[03/DEZ/2005]
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