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Paulo Pinheiro sai do PT

Deputado é o primeiro a se desfiliar desde o início da crise. Para ele, pregação ética tornou-se incompatível

Paulo Celso Pereira

Desde o início da crise do mensalão, muito se falou sobre parlamentares que poderiam sair do PT. Ontem, foi ''aberta a porteira'', como já dizem alguns parlamentares. Às 14h, o deputado estadual Paulo Pinheiro (PT-RJ) subiu à tribuna da Assembléia Legislativa do Rio para anunciar que estava se desligando do partido.

Decepcionado com a crise, o deputado afirmou que a gota d'água foi a reunião do diretório nacional no último fim de semana, quando o ex-chefe da Casa Civil José Dirceu mostrou ainda ter o controle do partido.

- Em 2001 e 2002 vi o PT se transformar em um partido de massa. Como eu não filiava ninguém e não era ligado às correntes, me tornei inútil lá dentro. Somado a isso, na campanha de 2002 preguei as propostas éticas do PT. Aí, o partido fez exatamente o contrário. Então, meu tempo no partido acabou - lamenta.

O destino mais provável de Paulo Pinheiro é o PPS. Apesar de parlamentares já darem como certa a ida, o deputado diz que além do PPS tem conversado com P-SOL e PCdoB. Ontem, logo após o anúncio da saída, Pinheiro recebeu convites do PDT e do PV.

- Espero não engordar de tanto almoçar com eles - brincou.

A saída de Paulo Pinheiro abalou a já enfraquecida bancada do PT na Alerj. Contando agora com apenas sete deputados estaduais, 10% da Casa, o partido teme agora por novas desfiliações. Apesar da indefinição quanto aos nomes, as próximas saídas só dependem do resultado das eleições do partido, em 18 de setembro.

Caso o Campo Majoritário, que há cerca de 10 anos controla com mão de ferro o partido, consiga se manter no comando do PT, Alessandro Molon, Carlos Minc e Inês Pandeló devem abandonar a legenda.

- Se o partido não tomar, imediatamente, medidas de apuração e punição dos envolvidos, o efeito pode ser dominó - reconhece Molon.

O deputado, segundo petista mais votado em 2002 - com 52.049 votos -, ainda acredita, no entanto, que a esquerda possa vencer as eleições.

- Tomamos a decisão de enfrentar o processo de eleição interna para eleger o Plínio de Arruda Sampaio, e acho que podemos ganhar.

O deputado estadual do PT com mais votos em 2002, Carlos Minc - que teve 119.863 eleitores - também está aguardando as eleições internas:

- A última fronteira é o Tarso Genro. Se o grupo do Dirceu dominar, será o fim. Se isso acontecer, ou volto para a universidade onde sou professor, ou para o PV, de onde saí em 1989.


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[11/AGO/2005]


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