Dirceu: ''Faço o que Lula manda''

Chefe da Casa Civil afirma que, se for convocado pelo presidente, assumirá a Secretaria de Coordenação Política

Israel Tabak e Ricardo Rego Monteiro

[11/MAI/2005]

Se o presidente Lula convocar o ministro José Dirceu para assumir a Coordenação Política do Governo, ele aceita:

-Claro, sempre faço o que o presidente manda - afirmou o ministro, no Porto de Sepetiba, logo depois de citar, em tom de brincadeira, a letra do compositor Chico Buarque de Hollanda: ''Afasta de mim esse cálice''.

À tarde, no entanto, ao participar do 17º Fórum Nacional, no BNDES, o chefe da Casa Civil fez ressalvas:

- Não gostaria de ir para o cargo. Já exerci essa função uma vez e agora me sinto muito bem com minhas tarefas, como a de cuidar da infra-estrutura do país.

Quando alguém se referiu ao desejo do presidente do partido, José Genoino, e de toda a cúpula do PT, de que ele assuma a função hoje entregue a Aldo Rebelo, Dirceu desconversou.

- Isso não é tema nem para o PT nem para o Genoino. Quem decide é o presidente Lula - afirmou, avisando que não gostaria mais de falar no assunto ''indigesto''.

Antes, por vontade própria, ao fazer uma palestra sobra a modernização da infra-estrutura brasileira, já havia abordado outro assunto que se tornou indigesto para o governo. Culpou a oposição e ''certa mídia'' por uma abordagem que não seria exata em relação às nomeações feitas pelo governo federal.

O ministro disse que o atual governo assumiu um ''entulho burocrático'' que tornou inadiáveis contratações de funcionários por concurso e também a seleção de pessoal gabaritado para cargos de confiança.

- Algumas áreas tiveram de ser totalmente remontadas. A estrutura do Ministério da Agricultura, por exemplo, era de 1937. Andaram dizendo de má fé que estávamos fazendo contratações demais , que criamos 200 grupos de trabalho e outras coisas. Vamos continuar fazendo essas contratações porque o país precisa.

Em seguida, Dirceu perguntou à ministra de Minas e Energia, Dila Roussef, quantos enegenheiros ela havia encontrado ao assumir o ministério.

- Um só - respondeu, de pronto, a ministra.

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