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Amigo de Dorothy sob suspeita


SÃO PAULO - A Polícia Civil de Anapu (PA) investiga a participação de Geraldo Magela Filho, técnico agrícola da Associação Solidária, Econômica e Ecológica de Frutas da Amazônia - fundada pela missionária Dorothy Stang-, e de José Rodrigues Silva, o Zé Dentista, no assassinato do trabalhador Adalberto Xavier Leal. Ele foi morto no último dia 12, pouco depois da freira.

De acordo com o delegado de Anapu, Marcelo Ferreira de Souza Luz, três testemunhas apontaram Geraldo Magela e Zé Dentista como autores do crime. A filha do lavrador disse, segundo a polícia, ter reconhecido Magela fugindo do local do crime após os disparos.

Outros seis suspeitos são investigados. Magela prestou depoimento na delegacia de Anapu ontem. Segundo o delegado, os dois homens podem ser indiciados pelo assassinato do trabalhador. Adalberto Xavier Leal trabalhava na gleba Bacajá, reivindicada pelo fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, que está foragido e é acusado de ser o mandante da morte da missionária.

A Polícia Civil trabalhava, por isso, com as hipóteses de vingança e queima de arquivo. O delegado descartou a a segunda opção e confirmou a hipótese de vingança. As polícias Civil e Federal chegaram a associar as mortes, mas voltaram atrás. Agora, a polícia reconhece a ligação.

O delegado afirmou que uma das testemunhas contou ter sido ameaçada por Magela, Zé Dentista e outros homens armados momentos antes da morte de Leal.

Magela, aliado à causa de Dorothy Stang, foi um dos responsáveis pela captura do pistoleiro Rayfran das Neves Sales, o Fogoió, que confessou à polícia ter atirado seis vezes na missionária. O técnico fez uma denúncia na tarde do dia 20, dizendo ter identificado o acusado quando passava pelo km 100 da Transamazônica, a 35 km de Anapu.

Geraldo Magela, que costuma usar óculos escuros para não ser reconhecido, pois é ameaçado de morte na região, disse, na ocasião, que temia o desenrolar das investigações.

- Não sei qual vai ser o resultado disso, estou muito preocupado com a minha vida, mas é preciso fazer justiça com a morte da irmã Dothy - afirmou, após a prisão de Sales.

Folhapress


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[04/MAR/2005]


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