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Suassuna nega remessas irregulares

Senador afirma que não usou doleiros para remeter dinheiro depositado em conta nos Estados Unidos

Sérgio Pardellas

BRASÍLIA - O senador Ney Suassuna (PMDB-PB) subiu ontem à tribuna para defender-se das acusações de que teria abastecido irregularmente contas bancárias no exterior por meio de doleiros que levavam e traziam dinheiro sem registro no Banco Central. Reportagem publicada ontem no jornal Correio Braziliense revelou que o senador teria movimentado no período de 1998 a 2003 pelo menos cerca de US$ 3 milhões em sua conta particular no Delta Bank de Miami.

Segundo o senador, a matéria misturou os conceitos de saldo com movimentação, desconsiderando situações reais em que um mesmo valor pode ''sair e entrar'' várias vezes em uma conta e não significar que o saldo foi elevado. Negando ter enviado dinheiro para o exterior por intermédio de doleiros, o peemedebista disse ter um empréstimo de US$ 2 milhões, constantemente renovado.

- A cada vez que renovo, entra novamente o recurso. O dinheiro enviado para lá tem sido para amortização. Eu vou estar à disposição da CPI. Não temo nada - afirmou.

Suassuna sugeriu ainda a ocorrência de violação de sigilo e comunicou que vai pedir providências sobre o fato.

Em aparte ao senador paraibano, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) exortou os presidentes da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP) e Senado, José Sarney (PMDB-AP) a intervirem na CPI do Banestado. Segundo a matéria, haveria 32 caixas marrons cheias de documentos guardadas no subsolo da Casa que detalhariam as contas de brasileiros no exterior.

- Os presidentes do Senado e da Câmara têm a obrigação de se manifestar. Essa é uma acusação que passa da CPI e atinge o Congresso todo. Lá está escrito que existem gavetas e gavetas que foram enviadas pela promotoria dos Estados Unidos e recebidas pelo relator, e que o relator deixa na gaveta, não faz nada, não toma conhecimento, e está tudo lá fechado a sete chaves. Isso é grave - afirmou.

O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) pediu a palavra para elogiar Ney Suassuna pela ''coragem e transparência''.


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[12/NOV/2004]


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