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Método cubano vai alfabetizar brasileiros


Hugo Marques

BRASÍLIA - O Ministério da Educação vai importar de Cuba um método de alfabetização para jovens e adultos. Antes mesmo do desembarque dos ''vídeos metodológicos'' produzidos na terra de Fidel Castro, no entanto, o acordo para a importação do método já divide colaboradores do governo. Para a doutora em lingüística Lucília Helena do Carmo Garcez, consultora do MEC, um país que tem um pedagogo do nível de Paulo Freire não precisa importar métodos de alfabetização de Cuba.

- Interpreto isto como um gesto de apoio do MEC ao governo cubano. O Brasil tem massa crítica para resolver seu problema de alfabetização - afirma Lucília Helena.

A importação foi acertada ontem entre o ministro da Educação, Tarso Genro, e seu colega de Cuba, Luiz Ignácio Gómez Gutiérrez. Os dois assinaram um Protocolo de Intenção para a Cooperação Internacional, para que o método seja importado a partir do ano que vem. A primeira experiência será no Piauí, governado pelo petista Wellington Dias. Crianças de algumas cidades farão parte do projeto-piloto.

- O protocolo concretiza a realização de experiências com metodologia que deu mostras de sua eficácia em outros contextos sócio-políticos - explica o diretor de Educação de Jovens e Adultos da Secretaria de Educação Continuada do MEC, Timothy Ireland.

A experiência cubana de alfabetização vem sendo implantada em países como Haiti, Honduras, Guatemala, El Salvador, Nicarágua e Venezuela, além de locais na África e Oceania. O MEC, em nota distribuída ontem, garante que o método foi usado ''com ótimos resultados na erradicação ou diminuição do analfabetismo nessas regiões''.

Mas Lucília Helena acha que o problema do Brasil não está no método de alfabetização. Para ela, o país é continental, diferente da ilha de Fidel. Em Cuba, diz Lucília, o programa funcionou porque o país deu prioridade para a educação. Para a autora do Programa Prá Ler, o principal foco do problema brasileiro na área de alfabetização está na formação dos professores:

- O Brasil precisa de decisão política, de programas com continuidade, de dinheiro. Temos de dar salário e dignidade aos professores.

O ministro da Educação de Cuba parece concordar com a consultora. Gutiérrez diz que, em busca da justiça social, ''os países devem investir em educação''. Cuba ''fez esforço neste sentido'', diz o ministro. Gutiérrez não esconde o objetivo político da exportação do método.

- O protocolo é importante para uma integração que nos permita sobreviver em um panorama de globalização - afirma Gutiérrez.

Para Tarso Genro, o protocolo é uma das saídas para tentar diminuir o índice de analfabetismo, que estaria em torno de 12% da população adolescente. Mas não esconde o objetivo político:

- Este acordo é uma expressão da solidariedade que deve existir entre nossos povos - diz Genro.


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[12/NOV/2004]


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