Ex-prefeito atribui acusação à polarização da disputa pela Prefeitura de São Paulo
SÃO PAULO -
O ex-prefeito Paulo Maluf (PP) e o filho dele Flávio foram indiciados ontem pela Polícia Federal sob a acusação de formação de quadrilha, sonegação fiscal, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e peculato. A pena mínima prevista é de dez anos de prisão. Todos os crimes estão relacionados ao envio não declarado de milhões de dólares para a Suíça.
Ontem, após se manter em silêncio durante o depoimento na PF, Maluf se reuniu com a direção nacional do PP e, em entrevista, associou o indiciamento à polarização da disputa pela Prefeitura de São Paulo entre Marta Suplicy (PT) e José Serra (PSDB).
- Não vão me intimidar - afirmou Maluf.
O ex-prefeito ficou em terceiro lugar na disputa, com 11,9% dos votos válidos e agora está inclinado a apoiar Marta no segundo turno.
Juridicamente, o indiciamento significa que o delegado responsável pelo inquérito, no caso Protógenes Queiroz, de Brasília, acredita ter reunido provas suficientes de que o ex-prefeito cometeu os crimes apontados no indiciamento da Polícia Federal.
A ação da PF não é isolada. A investigação é acompanhada pelo procurador da República Pedro Barbosa, que deverá oferecer a denúncia contra Maluf e outros familiares antes da realização do segundo turno, em 31 de outubro. A família Maluf também responde, pelo mesmo motivo, na esfera cível. Nos próximos dias, a Promotoria da Cidadania deverá oferecer à Justiça uma ação por enriquecimento ilícito.
A origem do dinheiro, segundo o Ministério Público Estadual, teria sido o desvio de recursos públicos durante a gestão de Maluf como prefeito de São Paulo, entre 1993 e 1996. Esse esquema, de acordo com a promotoria, continuou na administração do sucessor de Maluf, Celso Pitta, indiciado pelos mesmos crimes. Os dois ex-prefeitos negam possuir contas fora do país. Ainda segundo as investigações, Maluf lavou dinheiro por meio de empreiteiras contratadas para construir o túnel Ayrton Senna e a avenida Água Espraiada. Foram localizadas centenas de notas frias por serviços que nunca foram prestados. A remessa para o exterior, de acordo com autoridades do caso, foi feita com a ajuda de doleiros em nome de laranjas. Extratos bancários enviados pela Suíça revelam uma movimentação milionária entre 1985 e 1997 - um mês após Maluf deixar o cargo. Parte dos depósitos foi enviada em 1997 para o paraíso fiscal da ilha de Jersey, e outra, para Londres.
Em pleno feriado, Maluf chegou à sede da PF às 9h45, acompanhado pelo filho Flávio, pelos advogados Ricardo Tosto (cível) e José Roberto Leal (criminal) e por dois seguranças. Entrou e saiu sem dar entrevistas. Na saída, antes de entrar no carro, o ex-prefeito fez o sinal de vitória e sorriu. Seguiu direto para a casa dele, no Jardim Europa, onde tinha almoço marcado com a direção nacional do PP.
Folhapress