A investigação da força-tarefa compreende operações bancárias realizadas entre 1997 e 2002. Anteriormente, o dinheiro era enviado para a agência do Banestado em Nova York. Com o fechamento do banco nos Estados Unidos, o grupo migrou para o JP Morgan, em Manhattan, através da Beacon Hill Corporation. A empresa pertenceria a Aníbal Contreiras, da Guatemala, e teria o mesmo nome da conta que receberia os dólares e os repassaria para outras agências na Europa ou paraísos fiscais como as Ilhas Cayman. O Uruguai também seria um dos destinos investigados. A conta também serviria para o retorno do dinheiro ao Brasil, que normalmente é investido em imóveis.
Os valores não eram declarados ao Banco Central. Cada administrador das contas utiliza nomes que não são necessariamente os seus. No Rio, por exemplo, são 13. Alguns deles são Atlantis, Pescara e Gravata, que a Força-tarefa tenta descobrir os reais proprietários e beneficiários dessas contas. Os sigilos foram quebrados pela Justiça americana e os nomes não foram revelados para não atrapalhar as investigações.
- Eles usavam um sistema de compensação mútua para fugir do rastreamento. Não há transação física do dinheiro e nem eletrônica - afirmou o procurador Vladimir Aras.
Como no escândalo envolvendo fiscais da Fazenda estadual e da Receita Federal, no Rio, o dinheiro americano era passado ao doleiro, que compensava o cliente com valores retirados de outra conta no exterior. Há suspeitas de que R$ 50 são cobrados para se emprestar o nome como falsos titulares das contas. (M.A.M.)