A ação da força-tarefa em sete Estados mexeu com estruturas montadas há anos, que deram sustentação a uma série de escândalos financeiros no Brasil. Precatórios, Anaconda, PC Farias e até os fiscais do Rio são alguns dos casos com os quais os doleiros e as casas de câmbio tinham relações, enviando dinheiro para o exterior. Um deles é Antonio Claramunt, conhecido como
Toninho Barcelona, de São Paulo, preso ontem temporariamente, como todos os outros, por cinco dias.
A Polícia Federal investiga Barcelona desde o escândalo dos precatórios, em 1997. Ele também é suspeito de ter enviado para o exterior o dinheiro da máfia dos fiscais. O nome também surgiu nas investigações da Operação Anaconda, no ano passado, que investigou a suposta venda de sentenças por juízes federais e contou com a participação de policiais federais. A ida de agentes de Brasília para a capital paulista, por sinal, teria ocorrido pela suspeita de forte ligação entre o doleiro e integrantes da PF, em São Paulo. Há suspeitas de que o vazamento em São Paulo teria ocorrido após a prisão do doleiro, que ocorreu ainda na noite de segunda-feira.
A Justiça do Paraná também decidiu pela prisão do pai do doleiro, mas desistiu por ele estar doente. Existe a suspeita de que Barcelona usaria o pai como laranja de uma empresa, a Sierra Factoring, que enviaria dólares ao exterior através do esquema Beacon Hill.
A ação no Rio não deixou de lado velhos conhecidos da polícia. Um dos locais visitados foi a Belletours, no Shopping Cassino Atlântico, em Copacabana. A empresa investigada no esquema dos fiscais pertence a Henrique Chueke, 67 anos, que chegou a ser investigado pela Drug Enforcement Agency (DEA), a agência americana de combate às drogas, por suspeita de envolvimento no esquema de Paulo César Farias, tesoureiro de campanha do ex-presidente Fernando Collor de Mello. Chueke chegou a ser denunciado pelo promotor Otto Obemayer do Distrito Sul de Nova York, em 1989.
O filho de Chueke, José Henrique, é sócio de Oscar Frederico Jager, na Paladium Turismo, agência que funciona no mesmo endereço da Belletours. Jager também estaria entre os investigados na operação de ontem. Ele seria representante da Audi no Rio. Foi sócio do doleiro Favel Bergman, morto no ano passado. (M.A.M.).