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Vazamento atrapalhou as buscas


Depois de um dia inteiro de prisões e buscas e apreensões, ficou, entre policiais federais e procuradores da República, a sensação de que houve vazamento de informações possibilitando assim a fuga de alguns dos suspeitos. Do total de 123 mandados de prisão, apenas metade foi cumprida. A maior parte foi executada no Norte e Nordeste do país.

O procurador Vladimir Aras, de Foz do Iguaçu, no Paraná, confirmou que, apesar da autorização judicial, a ação foi cancelada no Estado por vazamento de informação. As operações no Rio e em São Paulo, os dois maiores centros financeiros do país, ficaram prejudicadas.

Em São Paulo, a Justiça decretou 54 mandados de prisão. Apenas 22 foram cumpridos. No Rio, as equipes da Polícia Federal encontraram apenas nove investigados, entre os 28 procurados. Nem o horário de início da operação - 6h da manhã - casou o efeito surpresa esperado.

- No Paraná, a operação foi suspensa pelo vazamento de informações. Em outros Estados existe essa possibilidade, mas nada está confirmado. As pessoas podem estar viajando - afirmou o procurador Vladimir Aras, da força-tarefa que apura o envio de dólares para exterior via contas CC5.

Apesar desses problemas, a ação coordenada no Rio pela Divisão de Repressão a Crimes Financeiros, da Polícia Federal de Brasília, cumpriu mandados de busca em 56 locais. Apreenderam três armas: uma pistola 357, um revólver calibre 38 e uma pistola 380, de uso exclusivo das polícias, além de 26 computadores e livros de contabilidade. O material será analisado por peritos do Instituto Nacional de Criminalística e por técnicos da Receita.

Em um dos endereços visitados, a Royal Turismo, na Rua Erasmo Braga, os policiais encontraram situações inusitadas. Não havia placa que indicasse o local como casa de câmbio e a porta era blindada por um sistema avaliado em R$ 18 mil. O escritório teve de ser arrombado.

No Cassino Atlântico, os policiais visitaram a Belletours, empresa investigada ano passado pela Polícia Federal, no esquema de envio de US$ 33,4 milhões para Suíça por fiscais da Fazenda estadual e auditores da Receita. A Belletours pertenceu ao doleiro Favel Bergman Viana, morto em 27 de março do ano passado com um tiro na boca, no interior de seu carro na Avenida Atlântica, no Leme.

Em uma residência visitada pelos policiais e por um dos 35 técnicos da Receita mobilizados no Estado para a ação foi encontrado o equivalente a US$ 200 mil em champanhe. Como não havia nota fiscal de compra, os produtos serão avaliados pelos auditores da Receita. No Beacon Hill, o proprietário da bebida administra a subconta identificada como Atlantis. Cada um dos suspeitos administra o dinheiro com apelidos como este. No Rio, 13 nomes são investigados pela força-tarefa. (M.A.M.).


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[18/AGO/2004]


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