BRASÍLIA -
Um grupo de parlamentares do PT, reunido ontem com o presidente da legenda, José Genoino (PT-SP), deixou claro que não vai votar a favor do salário mínimo de R$ 260. Apresentou documento assinado por 21 deputados e dois senadores, incluindo o vice-presidente do Senado, Paulo Paim (PT-RS), onde lembrava que o compromisso petista com um novo modelo de desenvolvimento, com inclusão social e distribuição de renda e riqueza, levou Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência.
O grupo propôs reunião da bancada com a equipe econômica ou com Lula discutir proposta alternativa. Genoino, no entanto, foi inflexível: garantiu que o governo só negocia a médio e longo prazo.
- A posição do PT é clara: apoiar os R$ 260 e trabalhar por uma política de recuperação do mínimo para os próximos anos - reforçou Genoino.
Para o deputado Chico Alencar (PT-RJ), uma proposta de recomposição a médio prazo do valor do mínimo é óbvio para um governo petista e não pode ser colocada como moeda de compensação. Genoino chegou a acusar o grupo de utilizar o mínimo como um gancho para questionar a política econômica.
- Nunca escondemos que o mínimo é uma questão de política econômica - defendeu o deputado Walter Pinheiro.
Para Pinheiro, o governo deve conseguir aprovar a proposta de R$ 260. Lembra que, por ser uma medida provisória, basta maioria simples para aprovar a matéria. Admite, no entanto, que a batalha política será intensa: de um lado, candidatos a prefeito, que temem sofrer o desgaste de se opor a um aumento maior do mínimo. De outro, parlamentares ligados a governantes, que apoiam os R$ 260 para manter as contas em dia.
O líder do PT na Câmara, Arlindo Chinaglia (SP), pretende reunir a bancada na próxima semana para decidir a questão. Defende a proposta do governo e quer levar ministros da área econômica para debater no Congresso.
Nos outros partidos, a situação é delicada. O líder do PMDB na Câmara, José Borba (PR), pretende liberar seus candidatos a prefeito para votar contra a MP do mínimo, mas quer fechar o apoio dos demais deputados à proposta do governo. O PPS fechou questão contra os R$ 260, e o PFL decidiu apoiar o relatório do deputado Rodrigo Maia (PFL-RJ), que propõe R$ 275.