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PT expulsa Paim de comissão sobre o mínimo
Vice-presidente do Senado se irrita e promete votar contra salário de R$ 260
Luiz Queiroz
[08/MAI/2004]
BRASÍLIA -
Para garantir a manutenção do salário mínimo em R$ 260, o PT voltou a cortar a própria carne. Desta vez, o partido excluiu o senador Paulo Paim (PT-RS) da comissão especial mista criada no Congresso para analisar o reajuste proposto pelo governo. Paim, que é o 1º vice-presidente do Senado, ficou irritado com a decisão e anunciou que votará contra o reajuste concedido pelo governo, mesmo se o PT ameaçar expulsá-lo da legenda.
Histórico defensor do salário de US$ 100 (cerca de R$ 300), o senador petista foi pego de surpresa na noite de quinta-feira, por volta das 20h, com um telefonema do presidente do Senado, José Sarney (PMDB/AP), comunicando a troca de membros feita pela liderança do PT. Paim disse que achou estranha a atitude da líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC). Na quarta-feira, antes da instalação da comissão especial mista, foi até ela pedir sua inclusão. Foi atendido. Na noite de quinta-feira, contudo, Ideli mudou de opinião e não o procurou para dar explicações.
Ainda sob o impacto da notícia e da forma como ficou sabendo, já que ninguém do PT o procurou para informá-lo da decisão, o senador procurou Ideli Salvatti para pedir explicações. Recebeu apenas a informação de que tanto ela como o líder do PT na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (SP), decidiram nomear integrantes na comissão mais ''afinados'' com a proposta do governo.
Em nota oficial, Ideli confirmou a decisão de trocar Paim por outro integrante da bancada governista que concorde com a proposta de um salário mínimo de R$ 260.
- Não foi uma decisão isolada. Eu e o Arlindo tiramos uma estratégia comum -
argumenta Ideli.
Em nome dessa estratégia, a líder do PT no Senado nomeou a si própria para a comissão mista do salário mínimo e indicou os senadores do PT do Acre, Tião Viana e Sibá Machado, para membros titulares e Fátima Cleide (RO), Saturnino Braga (RJ) e o senador do PTB do Rio Grande do Norte, Fernando Bezerra, como suplentes.
Paim disse ontem estar constrangido com a decisão do PT. Tal fato, afirmou, nunca havia ocorrido ''na história do Congresso''. O senador garantiu ainda que jamais votará uma proposta salarial que prejudique aposentados e pensionistas.
- Hoje sou um parlamentar movido muito mais por convicções pessoais, fruto de uma atuação de 18 anos, do que partidárias - explicou desconsolado.
O senador já havia apresentado cinco emendas no total de 80 que foram apresentadas por diversos parlamentares. A propostas são de valores para o salário mínimo em torno de R$ 300 - na faixa dos US$ 100, valor que sempre defendeu como justo para compensar as perdas dos trabalhadores.
O senador petista recebeu ontem a solidariedade de outros integrantes do Senado. O presidente da comissão, Tasso Jereissati (PSDB-CE), convidou Paim para continuar participando dos trabalhos mesmo tendo perdido o direito de votar por uma proposta alternativa ao salário mínimo sugerido pelo governo.
Líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM) afirmou que pedirá na terça-feira aos demais membros da comissão, que o senador petista possa defender sua proposta de reajuste salarial.
- O PT teve um gesto violento, intolerante, de quem não faz fé na maioria que tem no Congresso - atacou Virgílio.
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