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Palocci cita Lênin para atacar ''esquerdismo''

Ministro critica documento divulgado por deputados do PT

PARIS - O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, criticou ontem o documento Declaração de Páscoa, divulgado por deputados do PT, que cobram mudanças profundas na política econômica. Durante um fórum interministerial sobre desenvolvimento, Palocci citou o líder comunista Lênin e disse que a manifestação não passa de ''esquerdismo''.

- Lênin já dizia que o esquerdismo é uma doença infantil - provocou.

O ministro lembrou que a política econômica já foi discutida no Senado.

- Houve uma longa discussão, de sete horas, sobre nosso projeto econômico e as alternativas que se colocam - explicou o ministro.

Ao analisar o documento, Palocci disse que as críticas internas do PT não afetam seu trabalho.

- Não se trata de uma declaração de má fé, mas de um grande equívoco - opinou, lembrando que os deputados de esquerda formam ''a ala minoritária de um partido democrático e sempre tiveram suas opiniões respeitadas''.

O problema, segundo Palocci, é que as propostas só consideram elementos negativos, como o aumento da inflação. O ministro discorda da teoria de que o aumento da inflação traria crescimento para o país:

- Seria um crescimento de 7% no primeiro ano e um desastre no ano seguinte. No momento em que conseguimos reduzir a inflação para índices baixos, perto da meta de 5,5%, com perspectiva de cair para 5%, imagine o país aumentando a meta. Nunca vi isso em lugar nenhum.

Palocci disse que prefere propostas que ajudem o crescimento. A política econômica austera do ministro chegou a ser comparada pelos jornalistas presentes ao evento com a do governo do presidente francês Jacques Chirac, que sofreu na última semana um grande revés nas eleições regionais. O documento dos petistas aponta, pela primeira vez, o risco de a queda de popularidade do governo Lula provocar um fracasso do PT na corrida eleitoral deste ano.

- As condições dos dois países são bastante diferentes. Lula não faz projeto de governo pensando em eleições. O problema eleitoral é um fato, mas não podemos e não vamos cair no erro do populismo - defendeu-se Palocci.

Sobre a redução na taxa de juros, Palocci reafirmou que há espaço para isso, mas evitou qualquer previsão.

- Não dá pra falar quando nem quanto. A decisão cabe ao Copom, uma indicação técnica.

Sobre o aumento do salário mínimo, o ministro preferiu não adiantar o índice e disse que a decisão de um eventual aumento da inflação é responsabilidade do presidente Lula.

Agência Folha


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[09/ABR/2004]


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