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Governo decide enquadrar a base

Líderes partidários propõem a criação de um ''código de conduta'' para controlar críticas de parlamentares

Romoaldo de Souza

BRASÍLIA - Um dia após os ataques do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, ao ministro da Fazenda, Antonio Palocci, o governo percebeu que precisa de uma blindagem mais consistente. Para conter as críticas que partem da própria base governista, o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), apelou para a mordaça: propôs a criação de um ''código de conduta'' capaz de enquadrar os parlamentares da base e evitar o fogo amigo.

A proposta foi endossada pelo ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo, e pelo líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante. Rebelo garantiu que as críticas de Costa Neto à política econômica ''não abalam a base do governo'', mas concordou com a criação de uma cartilha para regular a conduta de deputados e senadores.

- A vida estabelece limites. É a vida que vai separando quem é governo e quem é oposição - justificou Rebelo.

O ministro se reuniu ontem com senadores do PT e do PSB para fazer uma avaliação do quadro partidário no Senado. Após tratar de temas da agenda de votação, ficou decidido que o governo vai dar prioridade à Lei de Falência na Comissão de Assuntos Econômicos e à reforma do Judiciário na Comissão de Constituição e Justiça.

- As críticas à política econômica são uma tradição do Congresso. O que foi publicado é uma opinião pessoal do presidente Valdemar, não creio que represente a opinião do partido (PL) - despistou o ministro.

Para Mercadante, as críticas de Costa Neto são ''uma intervenção de natureza pessoal'' e não devem trazer qualquer conseqüência que abale a aliança de sustentação do governo e a economia do país.

- Tivemos recorde no saldo comercial. A inflação caiu de forma significativa e este é o alicerce que precisa ser descrito - rebateu Mercadante.

Ainda assim, o líder petista considera ''oportuna'' a criação do código de conduta:

- Defendo um pacto de convivência na base. O país trabalhou muito para recuperar a confiança, e esse tipo de turbulência prejudica todo o ambiente. O Brasil precisa de responsabilidade. Se não encontramos na oposição, precisamos, ao menos, exigir da base do governo - afirmou.

Renan Calheiros, autor da proposta, prometeu encaminhar uma ''minuta da idéia'' aos senadores governistas para não parecer que se trata de uma opinião pessoal.

- Não falo sobre as críticas do presidente do PL, mas em relação ao todo. É importante que os partidos tenham entre si um código de convivência, senão as coisas deterioram - opinou Calheiros.

Na reunião de portas fechadas, Aldo Rebelo também conversou com os senadores sobre o requerimento com 35 assinaturas pedindo a instalação da CPI dos Bingos, que acabou arquivado porque os governistas não indicaram seus representantes.

- A CPI é um ato do Congresso. Nasce, vive e morre dentro do Congresso e é bom que assim seja. Da parte do governo, todas as medidas foram tomadas com isenção e rigor - defendeu-se o ministro.

Ao sair do encontro, os parlamentares afirmaram que não há a menor possibilidade de ser revisto o procedimento adotado pelos líderes de não indicar integrantes para qualquer CPI relacionada às investigações do caso Waldomiro Diniz.

- Existe uma definição clara e não serão aceitos os recursos - concluiu Mercadante.


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[17/MAR/2004]


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