23 de abril

Nascimento de Pixinguinha e Dia Nacional do Choro

MONICA RAMALHO

Em abril de 1897, mês de nascimento de Alfredo da Rocha Vianna Filho, o Pixinguinha, o choro já corria solto nos quintais do subúrbio do Rio de Janeiro. Na época, a polca Flor Amorosa, do flautista carioca Joaquim Callado, era executada como choro, praticamente inaugurando o gênero, e Chiquinha Gonzaga colhia os primeiros louros pelo trabalho de maestrina de teatro de revista que exercia na Praça Tiradentes. Anacleto de Medeiros recebia elogios pelas apresentações iniciais da Banda do Corpo de Bombeiros, criada no ano anterior.

As obras-primas de Pixinguinha têm lugar mais do que garantido, até hoje, em qualquer roda de choro que se preze. E como há rodas de sobra pelo país inteiro, a virtuosidade do músico continua ressoando em pleno vapor. Foi o maestro Radamés Gnattali, líder da inesquecível Camerata Carioca, quem disse certa vez que "choro tem muito por aí, mas bons mesmo são os do Pixinguinha, e não é porque são mais elaborados, é porque ele era um gênio". Era mesmo. Tudo quanto é conjunto de choro, ou solista, inclui peças dele no repertório dos álbuns.

A fama de Pixinguinha percorreu o mundo e recentemente, quase três décadas após sua morte, o clarinetista italiano Gabriele Mirabassi regravou alguns de seus clássicos num álbum batizado como Uno a zero, em referência ao antológico choro 1x0, parceria com Benedito Lacerda (que não compunha nada, mas entrava nos créditos em troca do compromisso de divulgar as músicas). Neto de Pixinguinha, o cantor Marcelo Vianna, relê sucessos do avô e apresenta cinco inéditos no disco Teu Nome, que será lançado dia 23, às 21h, no Instituto Moreira Salles, na Gávea.

O disco é resultado de uma pesquisa feita pelo jornalista Sérgio Cabral, pelo compositor Hermínio Bello de Carvalho e pelo violonista Guinga. Juntos, descobriram cinco inéditas de Pixinguinha. Três delas ganharam letras recentes de Paulo César Pinheiro - Meu Sabiá, Samba de Gafieira e a faixa título Teu Nome. Ao todo, são 14 composições, entre sambas e choros, gravadas com participações do baterista Dom Um Romão, da Velha Guarda da Mangueira, de Pedro Luis e A Parede, da cantora Rita Ribeiro e do saudoso João Nogueira.

Flautista e saxofonista como o autor de Naquele tempo, o líder do Quinteto Pixinguinha, Mauro Senise, lembra com carinho da tarde em que conheceu o músico, na Taberna do Gouvêa. "Levamos nossas flautas em dó e tocamos Ingênuo a capela. Lembro que ele corrigiu um mi bemol que estava sobrando, elogiou o arranjo e disse que era uma das melodias que mais gostava. Era um homem sábio, um mestre de verdade", conta Senise, que participará do concerto Music by Pixinguinha, em maio, no Lincoln Center, em Nova Iorque, ao lado de Romero Lubambo e Nilson da Matta, entre outros.

Comemorações - O decreto que criou o Dia Nacional do Choro, proposto pelo senador Artur da Távola, foi aprovado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso em setembro de 2000. A data escolhida não poderia ser mais apropriada: 23 de abril, aniversário de Pixinguinha. "Eu sentia que o choro vinha mostrando uma resistência enorme. Era importante haver um dia nacional para fixar o gênero pelo país", avaliou Távola, no ano passado, quando se comemorou o dia do choro pela primeira vez.

Este ano, na certa, haverá rodas de choro nas principais cidades brasileiras. As festividades começaram cedo. Nas terças-feiras de abril, o Sesc Copacabana recebeu alguns dos bons chorões da atualidade. O Trio Madeira Brasil abriu a programação do mês, no dia 2, tocando parte do repertório do segundo disco, que está em vias de ser gravado, e muitas peças de Pixinguinha. No dia 9 foi a vez do tradicional Época de Ouro relembrar a obra de Pixinguinha ao lado do pianista Cristóvão Bastos. Nó em Pingo D’Água e Sivuca foram as atrações do dia 16.

Para quem perdeu esses concertos, uma notícia bacana: Paulo Moura e os Batutas se apresentam no dia oficial, 23, caprichando no repertório do clarinetista Abel Ferreira, morto há 12 anos. Abel é um dos homenageados da noite, assim como a cavaquinista Luciana Rabello, o violonista Mauricio Carrilho e o trombonista Zé da Velha, eleitos pelo juri popular, através do (ótimo) site www.samba-choro.com.br. Os Batutas de Paulo Moura são Rodrigo Lessa (bandolim), Jorge Simas (violão de sete cordas), Márcio Moura (cavaquinho), Jorginho do Pandeiro, Jovi (percussão) e Zé da Velha.

Na última terça-feira do mês, dia 30 de abril, ainda tem roda de choro com o staff primoroso da gravadora Acari Records mais a turma do Clube do Choro de Brasília. Da Acari comparecem músicos da grandeza de Luciana Rabello, Mauricio Carrilho, Pedro Amorim, Leonardo Miranda e Álvaro Carrilho. Da turma de Brasília, vêm os jovens Henrique Neto, filho do Reco do Bandolim, e Rogério Caetano, professor da Escola de Choro Raphael Rabello. O endereço do Sesc Copacabana é rua Domingos Ferreira, 160, no bairro homônimo. Ingressos a R$ 10.

23 de abril

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[18/ABR/2002]

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