Vírus MyDoom é o pior já criado na internet

Especialistas previam que infecção mais rápida

[27/JAN/2004]

HELSÍNQUI - O vírus de computador “MyDoom”, que se propaga desde segunda-feira via e-mail e pelas trocas de arquivos no programa Kazaa, superou outro vírus mundial, o “Sobig.F”, pela amplitude de sua difusão, informou a empresa de segurança em informática F-Secure, com sede na Finlândia.

"Se analisarmos a quantidade de mensagens, o “MyDoom” já passou o antecessor e se tornou o ataque de vírus mais importante que conhecemos, disse Mikko Hyppoenen, diretor do departamento de pesquisa de antivírus da empresa. Segundo ele, foram mais de 100 milhões de e-mails infectados em apenas três dias, contra os 300 milhões em uma semana de ação do “Sobig.F” na rede.

O Brasil está entre os dez países mais afetados pela praga virtual, segundo informou o fabricante de softwares Trend Micro. Em 24 horas, o número de infecções pelo vírus cresceu 3.133% no país.

Também batizado de “Novarg”, o vírus se propaga automaticamente nas agendas de endereços dos correios eletrônicos. Especialistas consideram que sua rápida propagação deve-se à mensagem que o carrega, semelhante às usadas como aviso de ausência do computador, para almoço, férias, ou compromissos profissionais.

O “MyDoom” foi detectado no final da tarde de segunda-feira na Europa, quando Estados Unidos e Canadá ainda estavam em horário de trabalho. Por isso a maior parte dos danos ocorreu na América do Norte. Até hoje à noite, entre 390 mil e 500 mil computadores já haviam sido infectados em todo o planeta, segundo Hyppoenem. A força do ataque é medida também na reação oficial. Nos EUA, o FBI (polícia federal) abriu uma investigação para descobrir as origens do vírus. Ao mesmo tempo, o Departamento de Segurança Interna (DSI), responsável pela prevenção contra o terrorismo, tornou disponível em sua página um programa de ajuda para quem quiser evitar o ataque do vírus. Quem pedir receberá mensagens

A ameaça eletrônica chega junto a um e-mail que carrega um aviso falso de uma entrega frustrada de um correio eletrônico. O arquivo anexo pode trazer os nomes 'document.zip', 'document.pif', 'doc.scr', 'readme.exe', 'file.zip', 'message.zip', 'oia.zip', 'text.zip.' Uma vez executado, o vírus instala programas no computador e abre caminho para o uso da máquina para invasões de outros micros conectados à internet e como base para ataques a outros sistemas. A melhor defesa contra esse e outros vírus é apagar e-mails que contenham anexos desconhecidos.

O 'My Doom' está programado para um ataque de Negação de Serviço no dia 1º de fevereiro ao site da empresa SCO. A investida usa todos os computadores infectados e conectados à internet para acessarem ao mesmo tempo uma homepage podendo derrubá-la da Rede por dias. A SCO, que ofereceu US$ 250 mil quem oferecer informações que levem à captura do criador do vírus, é conhecida pelas acusações feitas durante 2003 de que detém a propriedade intelectual do sistema operacional Linux, considerado um software livre para uso e modificação. A empresa já processou todas as grandes empresas que trabalham com o Linux (IBM e Novell) e programadores envolvidos diretamente com o software, como Richard Stallman, criador da licença GPL, e o próprio fundador do Linux, Linus Torvalds.

Todos os grandes fabricantes de programas antivírus, como McAfee, Symantec e Trend Micro, já liberaram atualizações para a detecção e destruição do My Doom e ferramentas para quem não tem os antivírus instalados. Hoje, uma variação “B” do vírus foi registrada em difusão pela internet. Além da SCO, a nova ameaça prepara um ataque à página da Microsoft, também em 1º de fevereiro, e tenta desabilitar os antivírus presentes nos micros no ato da instalação do arquivo infectado. O 'MyDoom B' também traz uma mensagem enigmática do seu suposto autor: “Sync – 1.01; Andy; Só estou fazendo meu trabalho, nada pessoal, desculpe”.

Os Estados Unidos lançaram esta quarta-feira um novo sistema de "ciberalerta" com o objetivo de dar assistência aos usuários de computadores em meio ao ataque de um dos maiores vírus de computador da história, o Mydoom.

O Departamento de Segurança Interna (DHS) informou que o programa, enviado por e-mail a quem requisitar, fornece "informação útil para garantir seus sistemas". Amit Yoran, diretor da divisão de segurança em informática do DHS, declarou que o programa ajudará os usuários a enfrentar a ameaça do vírus. O novo programa permite aos usuários receber por e-mail alertas e boletins técnicos sobre as vulnerabilidades da segurança dos computadores, o impacto potencial e as ações necessárias para limitar o perigo.

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