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Mugabe ataca duramente EUA e R. Unido em cúpula sobre tecnologia


Agência EFE

GENEBRA - O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, atacou duramente hoje o Reino Unido e os Estados Unidos e disse que há países que utilizam "sua superioridade no setor das tecnologias da informação para difundir informações maliciosas e hostis, que tendem a desestabilizar nações como a sua".

Em um discurso na cúpula de três dias da Sociedade da Informação, que foi aberta hoje em Genebra, Mugabe, que abandonou a Commonwealth depois que o Zimbábue foi expulso de suas reuniões, denunciou "uma ordem mundial imperial dirigida pelos Estados e por povos guerreiros".

"As mesmas tecnologias da informação e comunicação que tentamos controlar são produtos derivados de indústrias que fabricam armas aterrorizantes utilizadas em guerras imperiais", denunciou o presidente do Zimbábue.

"Tais tecnologias são usadas como plataforma para a espionagem e como veículo de propaganda e desinformação, para tentar deslegitimar as lutas justas contra os resquícios do colonialismo", disse Mugabe, que defendeu a soberania de seu povo e que disse que seu país não quer ser governado por britânicos e americanos racistas.

Refirindo-se ao Iraque, o presidente do Zimbábue criticou "o letal aspecto televisivo de uma guerra injusta de ocupação baseada em enormes mentiras que os meios monopolistas se encarregaram de propagar e que demonstram os defeitos da Sociedade da Informação". "As tecnologias da informação e a comunicação são usadas como prelúdio e acompanhamento das agressões contra Estados soberanos".

O acesso à informação, do qual tanto se fala nesta cúpula, foi, além disso, "comercializado por poucos em um punhado de países e utilizado de forma descarada em interesse dessas mesmas nações", acrescentou.

Mugabe criticou a retórica de uma imprensa livre e da transparência dos veículos de comunicação, a qual só esconde as tentativas de "minar nossos esforços para constituir sociedades nacionais".

Em alusão aos Estados Unidos, o governate denunciou a unilateralidade reinante nas atuais relações internacionais, que, disse, conduziu ao "enfraquecimento do sistema das Nações Unidas".

O líder africano ridicularizou, por outro lado, os objetivos proclamados na cúpula de levar a internet às aldeias dos países pobres até 2015 e disse que em muitos povos africanos faltam as infra-estruturas básicas para isso.

"Tentam converter esses aldeães em internautas quando, muitas vezes, não sabem ler nem escrever e o que mais precisam é comida, antibióticos para tratar das doenças de seus filhos e um terreno que possibilite a sobrevivência de suas famílias", afirmou.


[10/DEZ/2003]


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