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Artistas plásticos da cidade usam a internet como vitrine para divulgar suas obras para o resto do mundo

Pedro Burgos

burgos@jb.com.br

BRASÍLIA - A internet virou ferramenta definitiva para os artistas da cidade, seja para mostrar o trabalho real em galerias virtuais ou para ser meio e linguagem de obras ultra conceituais. "A grande maneira de se ver arte hoje é pela internet. É uma forma de acesso democrático. Todo mundo pode se mostrar como quiser", opina Omar Franco, diretor da Sociedade dos Artistas Plásticos de Brasília.

A página da associação na internet traz uma amostra dos trabalhos de vários artistas de Brasília, seus currículos e contatos. Alguns têm os links para os sites pessoais, como no caso do mosaiquista Gougon. Em sua página, mostra suas telas e conta a história dos mosaicos. Uma boa forma de estar na vitrine, mesmo não estando com exposição montada.

"A produção aqui em Brasília é boa. Mas há muita gente produzindo, para pouco espaço", diz Alexandre Santos. O artista candango, que abre uma exposição na próxima quinta-feira, incluiu no convite à imprensa o endereço de seu vistoso site, com uma amostra do seu trabalho. Certamente uma apresentação melhor do que apenas a velha biografia descritiva.

"Via internet, estamos convidando mais de duas mil pessoas. Se fosse de uma maneira mais tradicional, seria inviável. De repente você está fazendo contato com o Japão", anima-se Alexandre.

Omar Franco, porém, diz que o apreciador de arte deve ser criterioso nas suas visitas. "Tem coisas boas, mas outras ruins também. Às vezes a pessoa tem uma produção pífia, mas o site é bonito, e acaba convencendo".

O veterano artista Darlan Rosa usa a internet como parte integrante da sua exposição, que não por acaso chama-se Virtualidade/Realidade. Além de poder ver suas esculturas em ferro no Centro Cultural Banco do Brasil, o visitante pode acessar seu site, e ver as obras em 3D. De quebra, ainda poderá falar, via chat, com o próprio Darlan Rosa. Ele, aliás, concebeu as obras inicialmente no micro.

"O computador é uma tecnologia recente nas artes. Desde 95 a arte-tecnologia é feita na Inglaterra. Acho que preserva a coisa mais importante, que é a idéia da concepção do artista", opinou Darlan.

Um grupo de artistas de Brasília, sob a orientação da professora Suzete Venturelli, da UnB, cria peças especificamente para a internet. A idéia é fazer peças mais interativas. "São obras abertas, que instigam o usuário a criar junto. Esse tipo de arte se aproxima muito das questões que a ciência tem trazido", diz Venturelli.

Em um de seus trabalhos, ela criou uma sala de bate-papo onde as palavras que as pessoas falavam se transformavam num "mundo tridimensional de palavras". "As pessoas acabam se perdendo!", diverte-se a professora.

Ela diz que sua arte já está bem distante das artes plásticas, já que não existe sem a internet, e não pode ser exposta em outras galerias. Junto com alunos da computação e robótica, Venturelli desenvolve o robowww, ser mecânico que será controlado via internet, por pessoas que visitarem a página dele.

"O usuário transmite o que ele quiser, por um display na cara do robô. Quero que ele se transforme um robogame", contou, enfatizando as virtudes interativas das obras de arte pós-modernas.

Artistas na rede:

www.ici.org.br

www.ida.unb.br

www.corpos.org

gougon2.tripod.com

www.darlanrosa.com

www.artebrasilia.org.br

www.alexandresantos.com.br


[26/OUT/2003]


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