Presidente executivo da Intel elogia indústria de software brasileira mas diz que há muito o que melhorar
"A indústria de software do Brasil é um exemplo de inovação bem-sucedida e pode ser comercializada para todo o mundo". A afirmação vem do presidente executivo da Intel, Craig Barrett, que exemplificou com o e-business e internet banking o uso produtivo da tecnologia no Brasil.
O executivo, que esteve no Brasil durante viagem anual pela América do Sul e palestrou no Intel Fórum Educacional, disse que para aumentar o acesso à Rede e completar a inclusão digital são necessários programas como Telecentros e o bom uso do Fust.
A Intel Capital, braço de investimentos estratégicos da Intel anunciou mais um investimento na última semana, com a empresa de software Pulso. "Há disponibilidade de fundos para investir em empresas e idéias inovadoras no Brasil", disse Barrett.
Para o presidente da Intel, a demanda global por tecnologia avançada não desacelerou. "O Brasil tem uma ótima oportunidade de aumentar sua participação no mercado global ao possibilitar um mercado de capitais vibrante, garantir a existência de um forte sistema educacional e ampliar a indústria de software já bem-sucedida internamente", disse Barrett, que sugeriu ao governo que discuta a questão das tarifas sobre importações de tecnologia da informação. "Quando há dificuldade de acesso à tecnologia pelas altas taxas ou tarifas é mais um dia em que mudança e inovação são adiadas. A iniciativa de redução de tarifas não só baixará os preços como também estimulará o crescimento do uso da tecnologia no país".
"A inovação com tecnologia gera produtividade, que permite o crescimento. Isso é verdadeiro tanto para mercados emergentes quanto desenvolvidos", disse Barrett. Segundo Craig Barrett, nos últimos dois séculos os recursos naturais mediam a economia de uma nação, mas daqui em diante a história será outra: "Os esforços intelectuais serão o novo termômetro de um país", disse o executivo, destacando que a educação permitirá a inovação.
De acordo com Barrett, os governos de todo o mundo, incluindo o Brasil, tem cinco desafios para fornecer acesso à população.
O primeiro deles é tornar a tecnologia disponível – isto não quer dizer que o equipamento seja necessariamente da pessoa.
O segundo desafio é como usar a tecnologia de modo eficaz na sala de aula. Além de ser mais fácil educar os jovens aos professores, a maior questão está em tornar mais empolgante o ensino do conteúdo para os jovens.
O terceiro ponto é fazer um 'benchmark', comparando o seu desempenho com todos, já que "nenhum país pode se declarar independente do resto do mundo". Para Barrett, mesmo uma nação com base econômica forte precisa comparar o desempenho dos seus alunos com os de outros países, pois todos concorrem entre si. "Os próprios Estados Unidos não tem uma comparação boa", revela o executivo.
O quarto desafio é investir na estrutura da universidade – área de criação de riqueza para qualquer estrutura econômica. "É necessário que o governo invista desde o início para que o país não perca seu fluxo de idéias", lembra Barrett.
O quinto ponto é uma prova viva do Brasil, a implementação de vários serviços governamentais no mundo da informática, como eleições eletrônicas, serviços da receita federal pela internet, entre outros.
Segundo Ruy Castro, gerente de Programas de Educação da Intel, 13 estados do Brasil são atendidos pela iniciativa da empresa. "Já acertamos tudo com a Secretaria de Educação do Rio. Só estamos esperando uma resposta deles", adiantou Castro. O executivo ainda revelou que a empresa investiu, nos últimos sete anos, cerca de US$ 700 milhões em projetos de educação - cerca de US$ 100 milhões por ano.