Hoje em dia é difícil imaginar um computador sem drive de CD-ROM e placa de som. Esta exigência começou a tomar corpo há dez anos, quando se tornou 'obrigatório' o uso do kit multimídia.
A tecnologia explodiu em 1993 e, na época, a venda do equipamento foi alavancada pelos games. "As primeiras placas foram lançadas para sonorizar jogos", lembra Laércio Vasconcelos, que está apresentando seu 38º livro: Multimídia nos PCs modernos, pela Makron Books.
"Senti a necessidade de escrever o livro porque muitas novidades apareceram e se popularizaram", explica o autor, alertando que o livro foi feito para quem sabe 'acessar a internet e bater texto'.
O tempo passou e no lugar do drive que lia lentamente um CD, agora pode existir um que grave até DVDs - graças à popularização e barateamento do equipamento. No livro, o autor disserta sobre diversas formas de gravações, scanners, câmeras digitais, e conversão de mídias, como passar um filme de DVD para um CD ou mesmo transformar um LP em MP3, além de digitalizar fitas VHS. "Se o usuário for curioso ele mesmo consegue fazer isso", garante Laércio.
Segundo o autor, como um drive de DVD executa todas as funções de um drive de CD-ROM e ainda pode exibir filmes DVD, a tendência é que nos próximos anos os drives de CD-ROM parem de ser fabricados.
Sobre as placas-mãe onboard, que contém controladores de vídeo e som embutidos, o autor alerta que a única vantagem é o preço.
"As desvantagens são 'todas'. Elas foram feitas para rodar as aplicações de escritório, como o Office ou semelhantes" Segundo Laércio, os recursos são limitados, mas o custo é praticamente zero. Outro problema é que os vendedores empurram essas placas para o consumidor como se fosse obrigação do usuário saber a diferença.
Um item de grande importância na multimídia é a placa aceleradora de vídeo, que executa a função em alta velocidade, através de um chip. "Trata-se de um hardware dedicado, melhor do que qualquer software e quanto mais barata, mais fraca é a placa", afirma Laércio, explicando que esse tipo de equipamento é mais usado para jogos. "Quando uma empresa não quer que seu funcionário jogue no expediente, basta colocar uma placa simples", garante.
É fundamental atualizar os drivers dos dispositivos para obter o máximo do desempenho do hardware. O upgrade deve ser feito principalmente quando é instalada uma nova versão do sistema operacional. O segundo motivo é que, eventualmente, o fabricante das placas pode encontrar bugs nos seus produtos e lançar uma nova versão, disponível para download gratuito em seu site. Caso a atualização não seja feita o som não funciona, a conexão do modem cai e a placa de vídeo se torna lenta.
Um aliado da multimídia é o conhecido DirectX, biblioteca multimídia para o Windows. Criado para games, ele facilita o acesso do jogo aos hardware. É um conjunto de funções que dão acesso direto à placa de vídeo, som, rede, teclado, mouse e joystick. "Sem ele, a conversa entre esses itens seria muito burocratizada, o que geraria uma lentidão tremenda". O Windows 95 não tinha esse recurso, o que levava os games daquela época serem rodados em DOS porque não estavam sujeito a essas convenções, explica o engenheiro eletrônico.
Atualmente, a versão mais nova é a 9, mas o Windows XP traz a 8.1. Para quem quiser atualizar, basta baixar a versão mais recente no site da Microsoft. Os jogos também costumam trazer uma versão mais atual do programa.
Para a gravação de CDs, Laércio recomenda que não se use mídias de baixa qualidade. Para selecionar, é preciso ficar atento às marcas. As sugestões são: TDK, Kodak, Samsung, Acer, Philips e Mitsui (empresa que criou o material químico q permite fazer a gravação). "Os CDs sem nome são problemáticos e mais baratos", destaca Laércio.
Um detalhe importante é a velocidade da gravação. Normalmente, o usuário não consegue gravar na potência máxima que o gravador promete. "Isso acontece porque o computador não consegue fornecer os dados na velocidade necessária. Às vezes, o programa pode até indicar que gravou corretamente, mas quando executa o CD, o usuário percebe pequenas falhas ou até erros graves".
Para evitar esse problema, o melhor a fazer é reduzir a velocidade de gravação. "Escolha uma intermediária. Se o seu gravador diz que suporta até 8X, então grave em 4X. E é possível verificar se a gravação ficou perfeita com programas de comparação presentes nos softwares de gravação, como o Easy CD Creator e o Nero", ensina o autor, que dá outra dica: "os drives mais antigos [até 20X] encontram problemas para executarem CDs gravados em alta velocidade".
Outra dica importante para evitar erros na gravação é desativar a opção 'on the fly'. Isso significa que o gravador pega os dados direto do HD. "Quando a opção é desativada, ele faz uma imagem, ou seja, um 'arquivão' com tudo que você quer gravar. Assim há menos chances de perder as mídias, uma vez que será preciso acessar apenas um arquivo", explica.
Em casos extremos, ao gravar um CD em alta velocidade o disco pode estourar quando a leitura for feita pelo CD-ROM. "O feixe de laser precisa ser intensificado e aquece a mídia. Aliado à alta rotação, o CD pode queimar na hora". O mestre não falha...