Aos 43 anos de idade, Brasília começa a exportar tecnologias para outros países. A empresa brasiliense Fóton, que desenvolve softwares de segurança para bancos e sistemas de integração de agências, está montando um escritório na Jordânia para implantar sistemas informatizados nos bancos de lá. Em en trevista ao Jornal do Brasil, o gerente de negócios da Fóton, Sylvio de Araújo Medeiros, fala dos produtos e serviços oferecidos pela empresa. Medeiros trabalhou no Banco Nacional, Banco do Brasil e TCO antes de ser contratado pela Fóton.
Antes de partir para esse vôo internacional, a empresa já conquistara como clientes a Dataprev (Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social), o Tribunal de Contas da União e o Centro de Tecnologia da Aeronáutica. Ali funciona o afamado ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica). A Fóton vem oferecendo tecnologias inovadoras para os alunos.
Além disso, há a preocupação com a formação de novos valores em Brasília. Segundo Medeiros, a empresa oferece estágios para estudantes da Universidade de Brasília.
Qual é a finalidade de se criar sistemas de segurança?
Na verdade, são sistemas que permitem ao banco operar sete dias por semana, 24 horas por dia, com os canais de atendimento ao cliente que possui.
A Fóton atua sozinha no desenvolvimento desses softwares seguros?
Nossa política é a associação a grandes empresas. Não só desenvolvendo sistemas, mas manipulando a tecnologia delas e usufruindo do valor agregado aos produtos. Pegamos a tecnologia dessas empresas, inserimos nos nossos produtos e devolvemos para o mercado uma coisa mais aperfeiçoada.
Quem são os principais parceiros tecnológicos da Fóton?
Temos parcerias de tecnologia com a Sun, a Microsoft, a Rational, a Intersystems e a Oracle. Nós somos parceiros da Oracle há muito tempo.
Para quais órgãos do governo a Fóton desenvolve sistemas de segurança?
Na Dataprev (Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social) nós temos um sistema desenvolvido. O Tribunal de Contas da União é um dos nossos principais clientes, assim como o Centro de Tecnologia da Aeronáutica, onde funciona o ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica). Oferecemos tecnologias para os alunos do curso de lá estudarem.
Existe algum projeto para a UnB?
Nós temos um contrato de estágio, onde alguns dos nossos estagiários são alunos da UnB. Um outro cliente importante de governo é o Estado do Mato Grosso, onde os sistemas de administração tributária do estado são nossa responsabilidade. Isso na parte de desenvolvimento. Porque nós também temos com o Centro de Tecnologia da Aeronáutica, com o TCU e com a Secretaria de Fazenda do Mato Grosso transferência de metodologia de sistemas para eles. Ou seja, passamos a nossa tecnologia de como fazer sistemas para eles.
E com o Banco de Minas?
Com o Banco de Minas Gerais, nós temos, desde antes da privatização, sistemas funcionando. O Itaú comprou o Bemge e usa o nosso sistema de banklink para fazer a comunicação dos sistemas.
Quanto tempo a empresa leva para desenvolver um sistema?
Depende do sistema. Têm projetos de dois anos, de seis meses, de um ano. O nosso sistema tem que refletir o que o cliente quer de fato. Aqui no Brasil você tem a cultura da inflação. Com a cultura da inflação os bancos brasileiros passaram a investir em um processo muito rápido. Imagina um cheque em Nova York, que você deposita aqui, demora, às vezes, uma semana para ser compensado. E quando você tem um cheque brasileiro lá em Manaus, de uma conta de alguém lá do Rio Grande do Sul, costuma ser compensado no dia seguinte. Imagina como é a tecnologia para integrar, por exemplo, toda a Europa. O nosso sistema financeiro poderia fazer isso.
Essa tecnologia pode ser exportada ?
A Fóton é membro de um consórcio chamado Brains , que significa Brasilian Inteligence in Software. É um consórcio local, que já agrega empresas do DF e de fora daqui. É um consórcio apoiado pelo Tecsoft, voltada para promover a excelência em software no país, e por conseguinte, a competitividade de exportação do software. A meta do país é exportar US$ 1 bilhão por ano em software.
E vocês estão exportando quanto?
Achamos essa meta extremamente modesta para a competência do software brasileiro. O indiano, por exemplo, exporta US$ 10 bilhões de software por ano. Sabemos que podemos fazer melhor.
Qual a diferença entre os profissionais de lá e os brasileiros ?
O que diferencia um aluno brilhante de um bom aluno? O bom aluno resolve o problema, tira 10 na prova. O aluno brilhante entende qual é o problema a ser resolvido. Para mim, o indiano é o bom aluno, ou seja, quando você chega com um problema, por mais complexo que ele possa ser, a Índia tem uma quantidade PHDs enorme no país que tem uma competência fenomenal para resolvê-lo. Mas o brasileiro tem uma característica, ele se mete, fala, entende, se associa, assimila a cultura local com muito mais facilidade que o indiano. A gente entende qual é o problema a ser resolvido. Por isso temos competência de exportar muito softwares, porque entendemos como é o problema.
Quais os países para os quais a Fóton exporta ?
A Fóton hoje tem iniciativas de exportar software bancário para a Rússia, para o Chile, para o Oriente Médio e também já temos alguma coisa andando pela Itália e em Portugal.
Vocês vão colocar uma filial na Jordânia?
Vamos fazer isso com duas empresas locais. Vamos entrar com o sistema, com a tecnologia. Eu vou passar seis meses lá viabilizando a implantação do negócio. Nós vamos levar uma rede de recebimento de contas com o nosso padrão de tecnologia.
A Fóton também desenvolve sistemas de internet banking. É seguro fazer uma transação pela internet?
É seguro, mas é aquela história. A doença vai sempre mais rápido do que o remédio. Então, o que de fato posso te garantir é que é muito caro para alguém tentar fraudar o sistema de segurança bem constituído de um banco. Pode ser tão caro que a invasão dos sistemas se torna economicamente inviável.
Mas o sistema é 100% seguro?
Nem o banco físico é. Você pode estar dentro da agência e ser assaltada. O motoboy pode ser passado para trás. As pessoas esquecem que na vida real elas também não tem segurança. De fato, hoje é seguro transacionar na internet porque é tão inseguro como as outras formas de transação.