Primeira ligação de celular completa 30 anos

Desafio atual é criar telefones cada vez menores e com funções avançadas de voz e dados

Repórter do JB Online

Divulgação
Martin Cooper

Martin Cooper, autor da façanha

Há exatos 30 anos foi feita a primeira ligação pública de um aparelho de telefone celular. O autor foi Martin Cooper, na época pesquisador da Motorola. Em 3 de abril de 1973, Cooper telefonou de uma esquina da rua 56 para um telefone na avenida Lexington, em Manhattan, nos Estados Unidos, deixando os transeuntes boquiabertos.

Para quem usa os celulares de hoje, a comparação é quase um absurdo. O aparelho utilizado em 1973 pesava cerca de um quilo e media 25 cm de comprimento por 3 cm de espessura e 7 cm de largura. A bateria se esgotava com 20 minutos de conversação. Mesmo assim, a tecnologia foi um grande avanço em relação aos telefones móveis instalados em automóveis, em uso desde a década de 40.

Dez anos mais tarde, a Motorola lançou seu primeiro modelo de telefone celular. Batizado de DynaTAC 8000X, foi o primeiro aparelho do mundo a receber autorização para funcionar. Para um dos designers responsáveis pela criação do primeiro Motorola, Rudy Krolopp, os consumidores estavam tão ansiosos com a novidade de um telefone móvel que milhares de pessoas colocaram seus nomes na fila - mesmo com o preço inicial de US$ 3.995. A data foi comemorada, no mês passado, com uma a exposição 'História Visual do Telefone Móvel', em Nova York.

Aos 74 anos, Cooper é hoje o principal executivo da ArrayComm, empresa que está desenvolvendo o que, segundo ele, será o próximo grande avanço na tecnologia sem fio: as chamadas antenas inteligentes, que prometem maior confiabilidade, menor custo e mais velocidade para a navegação na internet.

No Brasil, de acordo com estatísticas da Agência Nacional de Telecominicações (Anatel), já são cerca de 35,6 milhões de assinantes da telefonia celular. No mundo inteiro, o número atinge 1,124 bilhão. Segundo estudo da Telecompetion Inc., a expectativa é de que até 2010, dois bilhões de pessoas tenham celular para uso de voz e/ou dados.

Segundo Valerijonas Seivalos Junior, vice-presidente de operações da Qualcomm, no Brasil, 63% do mercado usa tecnologia TDMA, 35% CDMA e apenas 2% usa GSM (baseado em TDMA)

Para o executivo, está bem claro o que vai acontecer no mundo da telefonia móvel: o domínio pela terceira geração – um sistema capaz de transmissão e recepção de dados em alta velocidade. A tecnologia é recomendada pela União internacional de telecomunicações (UIT), da qual fazem parte fabricantes do mundo inteiro, especialistas do setor que se reúnem para discutir o melhor para o futuro. Segundo Seivalos, a UIT já começou a trabalhar na quarta geração de celulares.

"Uma bateria de celular analógico durava cerca de uma hora de conversação, a do TDMA tinha uma performance de 2 a três horas e a do CDMA pode chegar até 20 horas. Apesar do maior desempenho da bateria, seu tamanho é cada vez mais reduzido", diz Seivalos. A função do celular, antes concebido para uso de voz, hoje ganha imagens, vídeos e câmeras nos aparelhos, além de proporcionar acesso à internet do próprio terminal ou pela conexão a um Laptop ou PDA.

Uma das próximas características que serão incorporadas brevemente nos celulares é o sistema de tele-localização. O aparelho terá um receptor GPS que dará a sua localização por triangulação, com uma margem de erro de cinco metros. "Quatorze milhões de usuários no Japão já dispõem deste serviço. A localização pode ser feita através da internet, com mapa, rua, ou mesmo através de outro aparelho celular, além de informar rotas de trânsito, fluxo, por exemplo", explica Seivalos.

Segundo o gerente de Telecom da IDC, Rusty O’Bryan, o Code Divsion Multiplex Acess (CDMA) já tem uma antena com GPS (Global Position Sistem) que faz parte deste sistema. No entanto, outra tecnologia poderia também implantá-lo, mas sairia mais trabalhoso e caro.

O’Bryan destaca o uso do Location Base Service (LBS) sistema que permite ao usuário do celular ser avisado de um filme que está passando num cinema que esteja perto naquele momento, ou mesmo, ser avisado de um restaurante nas proximidades na hora do almoço.

"O TDMA e GSM não evoluem para a terceira geração de celular", diz Valerijonas acrescentando que o GSM está em fase de obsolescência, "indo para o asilo". Ele já existe há quase 15 anos. Para o executivo, o Brasil comprou sucata, e vai ser substituída inevitavelmente.

Esta não é a visão do gerente de Telecom da IDC. De toda rede brasileira, cerca de 70% dos assinantes usam sistema pré-pago. Eles têm o telefone só para receber ligação. "Então, por que uma empresa investiria milhões atualmente no Brasil para uma rede 3G? Para atingir 2% dos usuários"?, questiona O’Bryan, rebatendo que, mesmo com quase 15 anos de vida, o GSM supre as necessidades do Brasil. "Apenas em quatro ou cinco anos o 3G deve emplacar por aqui", completa o executivo.

Para O’Bryan, "o desafio será combinar um tamanho de teclado, de tela, com a facilidade para o usuário carregar. As limitações virão da demanda", explica o gerente de Telecom. O teclado dobrável pode ser um dos próximos acessórios indispensáveis. Um dos problemas atuais é o alto preço cobrado pelas companhias de telefonia móvel pelos serviços de dados. No entanto, uma mensagem curta de celular é mais barata do que um minuto de ligação.

Segundo a IDC uma tendência forte atualmente é a junção do PDA com o celular. O analista de Wireless da IDC, Ricardo Costa, explica que o GSM pode chegar até o 2,5 G. "A evolução do GSM é o UMTS, baseado no WCDMA, que tem a largura de banda maior. Este sim é 3G".

Por enquanto, a receita gerada pela transmissão de voz por celular supera a gerada com o tráfego de dados. Mas, em médio e longo prazo, só com a comunicação de dados será possível aumentar a receita média das operadoras. Para os próximos anos, em âmbito mundial, o telefone vai ser usado na metade do tempo para conversações e, na outra metade para dados. "Mas o uso para voz não ficará para trás", garante O’Bryan.

[03/ABR/2003]

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