A explosão do blog

BRUNO LOPES

Supla e Bárbara no blog que publica relatórios sobre a Casa dos Artistas

Quem administra um site sabe das dificuldades de manter uma boa página na web. Criar um design atraente, escrever os textos e desenvolver as rotinas do conteúdo dinâmico não são tarefas simples. Claro que é sempre possível contratar um webdesigner, um programador e um comunicador para cumprir cada uma dessas funções, mas, em muitos empreendimentos, é impossível conseguir tal nível de profissionalismo.

Os weblogs são um exemplo. Mais conhecidos como blogs, esses sites são organizados como diários pessoais, nos quais as entradas de informação seguem uma ordem cronológica. Os blogs podem ser feitos manualmente, como qualquer site na internet, mas serviços de publicação, como o americano Blogger ou o brasileiro Blig, facilitam e muito esta tarefa.

O mais popular site para hospedagem gratuita de blogs é o Blogspot, sediado nos Estados Unidos. No começo deste ano o programador mineiro Guilherme Rocha aproveitou seu tempo livre para desenvolver, junto com um colega, o primeiro site de weblogs brasileiro, o Desembucha.com.

O serviço começou a funcionar em maio e, em apenas três meses, mais de quatro mil pessoas haviam se inscrito. "Nunca esperamos atrair tantos interessados em tão pouco tempo. Não gastamos um centavo em publicidade, a divulgação foi feita pelos próprios usuários", conta Guilherme.

O sucesso foi tão rápido que terminou matando o Desembucha. Dependendo fortemente de aplicações em ASP, ele se tornou muito pesado para o servidor no qual estava hospedado e teve o funcionamento suspenso em setembro. "No final de agosto eram mais de 10 mil acessos por dia. O provedor queria aumentar sua taxa para manter o Desembucha e não podíamos investir no serviço", explica Guilherme, que promete o retorno de um Desembucha remodelado, em uma data ainda a ser marcada.

A morte do Desembucha mostrou que há muito espaço na internet brasileira para sites de weblogs. Em 23 de novembro, o portal iG criou seu serviço de blogs, chamado de Blig. Em seu primeiro dia de funcionamento, o Blig, que teve como único instrumento de divulgação uma janela pop-up no portal, recebeu 700 inscrições. "Percebíamos que havia muita carência de um serviço desse tipo no Brasil", avalia Cláudia Clement, gerente da Fábrica de sites do iG.

Segundo pesquisas de mercado, o "blogueiro" típico tem 16 anos e, talvez por isso, a maior parte dos sites desse tipo são como os diários escritos pelos adolescentes. Digitando a palavra blog em qualquer mecanismo de busca, a esmagadora maioria dos resultados apontarão para sites que trazem confidências e intimidades.

Nessa categoria, o mais famoso é o Delícias Cremosas, mantido por 13 mulheres que publicam confidências pessoais na internet.

Levando a exposição da vida pessoal ao limite, um blog criado pela jornalista Rosana Hermann publica relatórios diários do programa "Casa dos Artistas", revelando detalhes que não são exibidos na rede SBT, mas aparecem na transmissão da Direct TV. Com o blog, é possível saber que a cantora Patrícia Coelho, por exemplo, está se achando "gorda de rosto" ou que está atraída pelo ator Alexandre Frota.

Nem todos os weblogs, contudo, são diários pessoais. O The end of free, por exemplo, mantido por sete pessoas, lista todos os serviços na rede que eram gratuitos e que estão sendo pagos. O Estranhos links mostra os mais improváveis endereços na rede, da igreja do Chihuahua Cego à Friends of Pi Club, que se dedicam ao cálculo do número infinito ¶.

Por que tantas pessoas se dedicam aos blogs? Segundo muitos blogueiros, para encontrar pessoas que tenham os mesmos gostos musicais, profissionais e existenciais. "Desde a época das BBS, passando pelo ICQ e chegando aos blogs, a internet é boa para as pessoas se encontrarem", explica Edison Viana, editor do blog Arara Ruiva, sobre música brasileira.

[30/NOV/2001]

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