Empresas descobrem mercados eletrônicos

BRUNO LOPES

Mercados eletrônicos freqüentemente são associados à venda de produtos usados, através de leilões realizados entre indivíduos. Em tais sites, contudo, é cada vez maior a presença de produtos novos ou semi-novos, vendidos por empresas. Quase sempre, tais produtos não são oferecidos através de leilões, mas com um preço fixo e entrega imediata, uma transação similar às realizadas em sites convencionais de comércio eletrônico.

O Lokau, que iniciou suas operações dedicando-se exclusivamente a leilões eletrônicos, em março deste ano passou por uma ampla reformulação e começou a oferecer a opção de compra imediata. Os administradores do site viram o volume de negócios subir mais de 200%, e agora 45% das transações são feitas pelo sistema de preço fixo. "Nos Estados Unidos e na Europa as pessoas já tinham a cultura de comprar produtos usados, em mercados de pulgas ou vendas de garagem. O brasileiro ainda está começando a ter essa cultura, mas o que é importante é criar um marketplace. Se as vendas são feitas por leilão ou preço fixo, não importa", explica Cláudio Gandelman, diretor de operações do Lokau.

Atualmente, empresas como Compaq, C&A, Gradiente, ATL e Motorolla têm parcerias com o Lokau, utilizando-o como um canal extra para distribuição. A C&A, por exemplo, utilizou o site para vender peças da coleção de inverno, o equivalente eletrônico das liquidações feitas pelos shopping centers ao final de cada estação. A Compaq oferece computadores recondicionados, que haviam sido devolvidos ao fabricante por algum conserto. Após trocar o componente defeituoso, computadores com pouco uso são oferecidos por preços bem atraentes, com garantia do fabricante.

Vender produtos através de sites de mercado eletrônico não é uma atividade restrita a grandes corporações, e pequenos empresários estão dispondo de uma plataforma de comércio eletrônico. Fabiano Kurtz, dono de uma loja de informática em Cascavel (PR), conta que em 1999 começou a oferecer peças de computador através do Mercado Livre e Arremate. Apesar das dificuldades iniciais, atualmente 90% de sua receita vem através de vendas pela internet. "Você precisa ser ágil, para entregar rapidamente os produtos, e ter flexibilidade, ficando de olho nos preços dos concorrentes. Mas, depois que sua honestidade é reconhecida e as pessoas te dão classificações positivas, o volume de vendas é impressionante", afirma.

Stélleo Tolda, presidente do Mercado Livre, explica que, apesar do site oferecer a opção de venda por Preço Fixo desde sua inauguração, sua utilização pelas empresas está aumentando nos últimos meses. E que, mesmo assim, elas ainda não aproveitam todo seu potencial. "No exterior, sites de mercado eletrônico são utilizados para testar a aceitação de novos produtos e ver o preço pago pelo mercado, o chamado fase in", explica.

[22/NOV/2001]

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