Civilization III: menos guerra, mais diplomacia

BRUNO LOPES

Uma imagem do jogo: cidade moderna, com rodovias e poluição

Poucos jogos de computador foram tão inovadores e divertidos quanto o Civilization, lançado há dez anos. Colocando o jogador no papel de um imperador, permitia o desenvolvimento de uma civilização desde a pré-história até a corrida espacial. O Civilization II, lançado em 1996, trouxe melhorias técnicas e ficou mais complexo, com a adição de novas unidades e tecnologias.

Em suas primeiras rodadas, o Civilization III parece trazer apenas melhorias cosméticas em relação ao jogo anterior, como o aperfeiçoamento de gráficos e músicas. No entanto, depois de algum tempo, é possível perceber mudanças fundamentais em sua mecânica.

Nos jogos anteriores, a única maneira de alcançar a vitória era conquistar todas as outras civilizações ou ser a primeira civilização a enviar colonos para o espaço. Esses dois tipos de vitória ainda são possíveis, mas agora também é possível ser o vencedor desenvolvendo uma nação com uma cultura forte, sendo um diplomata habilidoso ou realizando uma excelente administração e deixando seus cidadãos felizes.

Jeff Brigs, presidente da Fireaxis, revela que a ênfase no aspecto cultural foi bastante incentivada nessa versão, mostrando que guerras podem arrasar com o comércio, a riqueza e a infra-estrutura de um país. Jogadores que desenvolvem civilizações com culturas fortes podem assistir cidades estrangeiras se rebelando contra seus imperadores e pedindo para se integrar à sua nação. “Você pode, literalmente, inundar outros territórios de forma cultural ou militar”, conta.

Cada civilização agora tem características únicas, tornando algumas mais inclinadas para o comércio e outras para a guerra. Os americanos, por exemplo, têm alta produtividade e alcançam altos lucros quando conquistam uma vila bárbara; enquanto os gregos têm baixos níveis de corrupção e alcançam grandes avanços científicos com pouco investimento em desenvolvimento.

Jogadores acostumados às outras versões do Civilization vão perceber que algumas mudanças na mecânica do jogo mudanças os obrigará a alterar suas estratégias. Não existem mais o Senado, a forma de governo fundamentalista e a opção de subornar unidades inimigas. Unidades de comerciantes, diplomatas e espiões também foram suprimidas desta edição. Suas funções são acessadas a partir de menus, deixando a tela um pouco mais limpa.

O manual, de 200 páginas, parece assustador, mas, ainda assim, é significativamente menor que o da versão anterior. A tradução não é perfeita, mas sua leitura é útil para jogadores de qualquer nível de experiência. O único capítulo de leitura imprescindível é o quarto, um tutorial para aqueles nunca tiveram contato com qualquer versão do Civilization. Os outros capítulos apenas explicam os detalhes do game e, apesar de úteis, não são indispensáveis para o jogo.

Em resumo, o Civilization III é mais fácil de aprender que as versões anteriores do jogo, podendo ser dominado em uma hora. Jogadores que gostam de estratégias sofisticados e cenários desafiadores também não se sentirão decepcionados, podendo ajustar o nível de dificuldade de acordo com sua vontade. Ele dificilmente terá o mesmo impacto que o Civilization original, mas é especialmente indicado para fãs de jogos de estratégia que procuram um título que não dê importância demais ao aspecto militar.

Link:

www.civ3.com

[16/NOV/2001]

Home > internet > destaque