RIO - A formação da Ptax, taxa média do dólar pela qual os contratos futuros da moeda americana serão liquidados, pressionou hoje o mercado de câmbio, com volatilidade concentrada na parte da manhã. O dólar fechou em alta de 1,12%, cotado a R$ 2,963 para a compra e a R$ 2,968 para a venda, ficando abaixo dos R$ 3,00 pelo segundo mês consecutivo. Em maio, a valorização foi de 1,96%.
A volatilidade nesse mercado, segundo Gustavo Rosa, da Alpes Corretora, deve se verificar também nos próximos dias em função do vencimento de uma dívida cambial de US$ 1,2 bilhão e do resgate de contratos de swap cambial. Como o Banco Central (BC) decidiu esta semana não mais divulgar o percentual a ser rolado das dívidas atreladas ao dólar, a expectativa vai gerar certa turbulência no mercado.
Rosa frisa, porém, que os rumores vindos do exterior a respeito da intenção do governo de fazer mais uma emissão soberana de títulos deve contribuir para para trazer equilíbrio ao câmbio.
''Um patamar entre R$ 2,90 e R$ 3,00 parece ser bom para a moeda americana''.
A falta de notícias locais levou a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) a operar atrelada ao mercado americano. Segundo Rosa, a alta de 0,12% de hoje só não foi maior por causa da agitação no mercado de câmbio. A Bovespa hoje girou R$ 721,8 milhões com 13.421 pontos. No balanço do mês, a valorização é de 6,89% e, no acumulado do ano, de 19,11%.
Para Rosa, o fluxo de recursos na bolsa paulista ainda não é o ideal, mas ''não há nada que justifique'' um desempenho desfavorável daqui para a frente. ''A entrada de investimentos estrangeiros pode ser estratégica para a bolsa superar os 13.500 pontos''.
Ele observa ainda que tudo vai depender do encaminhamento das reformas no Congresso. ''A aprovação na Câmara foi um passo importante'', diz Rosa, acrescentando que o mercado de ações deve sofrer mais volatilidade a partir de julho quando as propostas começarão a ser discutidas para valer.
Em relação aos juros, Rosa diz que, em função da cautela do BC, expressa na última ata do Comitê de Política Monetária (Copom), parte do mercado já trabalha com a expectativa de que a taxa Selic só comece a cair a partir de agosto.