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Europa influenciou carnaval
da elite baiana




Heliana Frazão
Agência JB

Embora a origem do carnaval venha de uma manifestação popular anterior à Era Cristã, tendo se iniciado na Itália com o nome de Saturnálias (em homenagem a Saturno), que acontecia nos meses de novembro e dezembro, na Bahia, o marco decisivo do início da festa é o ano de 1884.

Nesse período, porém, a festa já possuía considerável porte - principalmente nos salões. Nesse ano começou a organização dos festejos de ruas e os desfiles de clubes, corsos, carros alegóricos e de vários populares. A partir daí, se intensificou a participação do povo e a aclamação do carnaval de rua, fortes características atuais da folia em todo o Estado.

Cinco anos antes da Proclamação da República, a cidade, habitada por cerca de 170 mil pessoas, organizou o seu primeiro grande carnaval de rua. Uma festa com grande influência européia, como quase tudo o que existia no Brasil naquela época, com luxo, requinte e comentários elogiosos.

De acordo com uma pesquisa realizada no período de três anos pelo técnico de carnaval da Empresa de Turismo de Salvador, Emtursa, Roberto Santos, o Carnaval de 1884 pegou Salvador num período de crescimento rápido, provocado pelo progresso da agricultura em outras regiões e pelas exigências de um melhor ordenamento do espaço urbano com o êxodo rural.

O clima era de progresso e os comerciantes já utilizavam a publicidade nos jornais durante a festa. Tanto as pessoas que se fantasiavam quanto as que esperavam o cortejo vestiam-se a rigor, algumas em ternos de linho, polainas e chapéus.

Fundado em 1° de março de 1833, o Clube Carnavalesco Cruz Vermelha só aderiu à folia em 1884. O clube organizou um cortejo com rapazes e moças ricamente trajados e com a presença de um carro alegórico. O tema era "Crítica ao Jogo de Loteria". A iniciativa foi um sucesso.

Ainda em março de 1884, um grupo de jovens fundou o Clube Carnavalesco Fantoches da Euterpe. O clube era encabeçado por quatro figuras da alta sociedade: Antônio Carlos Magalhães Costa (bisavô do senador ACM), João Vaz Agostinho, Francisco Saraiva e Luís Tarqüínio (seu primeiro presidente).

Em 1885, a disputa entre os dois clubes foi ainda maior. O Diário de Notícias, o jornal mais influente da época, publicou um anúncio do Cruz Vermelha, descrevendo a sua passeata. O Fantoches reagiu, publicando o seu programa de festas em três colunas. Ambos foram às ruas com temas e indumentárias vindas da Europa. Desfilaram também outros clubes, como "Saca Rolhas", "Cavalheiros de Malta", "Clube dos Cacetes" e "Grupo dos Nenês".

No ano seguinte, os negociantes resolveram não mais abrir o comércio na terça-feira de Carnaval e os presidentes dos grandes clubes decidiram traçar um itinerário único para os desfiles. Em 1888, a cidade presenciou um dos carnavais mais famosos e em 1892 foi introduzido o uso de "Confetes e Serpentinas".

Em 1894, o Carnaval continuava a ser da elite, que desfilava e freqüentava os bailes dos teatros famosos. A população pobre continuava a fazer apenas algumas manifestações nas ruas. Com o passar dos anos, no entanto, a festa foi se popularizando. O Carnaval de Salão tinha a participação de brancos e mulatos de classe média, enquanto negros e mulatos pobres ficavam nas ruas.




[Carnaval 2001]