Zico - 50 anos

Foto de Almir Veiga / AJB Arthur Antunes Coimbra, o maior ídolo da história do Flamengo, reinou no clube mais popular do Brasil nas décadas de 70 e 80 e ainda é a grande referência dos torcedores Rubro-Negros, que pediram, inclusive, para que ele assumisse a presidência do clube. Aos 50 anos, Zico é símbolo de uma época em que a paixão era a mola mestra do esporte, e que o marketing ainda não gerava milhões de dólares e pop stars no mundo da bola. Foi um dos melhores pontas-de-lança da história do futebol, marcou quase 800 gols e é ídolo também na Udinese e no Japão.

Movido pelo amor ao Rubro-Negro, chegou a cogitar a possibilidade de virar dirigente do clube do coração, pouco antes da última Copa do Mundo, no ano passado. Voltou atrás após o Mundial, quando a federação japonesa fez uma proposta irrecusável para que ele dirigisse a seleção principal até 2006.

O Galinho está no futebol japonês há 10 anos. Passou sua experiência dentro de campo, por três temporadas, e logo depois como técnico do Kashima. Ajudou a montar a estrutura da J-League, participando desde a organização dos clubes até a escolha dos melhores projetos para a construção de estádios. Tem duas estátuas por lá, alguns gols de placa na memória dos japoneses e o reconhecimento de um povo que o adotou e o chama carinhosamente de Jico.

Nascido na casa 7 da Rua Lucinda Barbosa, em Quintino, bairro do subúrbio carioca, no dia 3 de março de 1953, o pequeno Arthur, filho de Seu Antunes e de Dona Matilde, sempre teve o futebol no sangue. Ainda que não haja qualquer comprovação científica de que isso exerça alguma influência, no mundo sem lógica do futebol os fatos ganham sentido. Além do próprio pai, que por muito pouco não foi goleiro profissional, seus irmãos Antunes e Edu foram jogadores de futebol reconhecidos. Antunes, irmão mais velho e conselheiro de Zico, atuou pelo Fluminense. Já Edu, apontado como craque do América num tempo em que o Diabo realmente infernizava, só não disputou a Copa de 70 porque foi preterido em cima da hora.

Zico foi criado nesse caldo de bola, temperado pela decepção dos irmãos no mundo do futebol. Franzino e baixinho, não lhe davam muitas oportunidades de jogar. Restava então acompanhar os irmãos, apesar da reação sempre contrária do pai, um português rigoroso na educação dos filhos e que temia um futuro difícil no futebol. Mas, desde pequeno, Arthur ia e ficava atrás do gol, esperando o irmão Antunes deixar sua marca para soltar um potente ‘co-có-ri-cóóóó’ na comemoração. Daí até virar o Galinho de Quintino foi um pulo. Já o apelido mais famoso, quatro letras que viraram nome próprio e sinônimo de vitórias, foi dado pela prima Linda. Primeiro foi chamado de Arthurzinho, depois de Arthurzico e, por fim, virou simplesmente Zico.


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