Jornal do Brasil

Quarta-feira, 18 de Outubro de 2017

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Crítica | Nana Caymmi em Rio Sonata | Carioca, com tempero baiano

Jornal do BrasilPaulo Marcio Vaz

Sem pieguismo, Nana Caymmi em Rio sonata é uma verdadeira declaração de amor ao Rio, à música e à vida. Talvez seja esta a melhor definição para o documentário brilhantemente dirigido pelo franco-suíço Georges Gachot (o mesmo de Música é perfume, sobre Maria Bethânia) dedicado à cantora. Nana demonstra, no palco e na intimidade, que soube herdar a porção de talento que o pai lhe deixou, e acrescentar o seu, resultando numa carioca com ótimo tempero baiano.

Rodado inteiramente no Rio, entre sacolejadas dentro de uma van pelas ruas esburacadas da cidade, sessões de carteado em casa com os amigos, gravações em estúdios e flagras de bastidores nos camarins, Nana vai conquistando o espectador com sua juventude, no auge dos 70 anos.

Divertidíssima e descontraída na maior parte do tempo, a cantora capricha até na hora de soltar um palavrão durante a jogatina: “PQP, eu adoro me ouvir!”, exclama, enquanto escuta a si própria cantando.  Até mesmo os palavrões muito bem colocados mostram que Nana não sabe só cantar, mas também viver a vida numa boa.

Vida e obra   – Nana Caymmi traça a história do Rio e da MPB
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Entre os vários méritos do documentário, um é saber mesclar muito bem o hoje e o ontem. São excelentes as cenas nas quais o velho Dorival aparece durante a festa de Réveillon no apartamento da filha em Copacabana, assim como as imagens da cantora no festival de 1966, quando era casada com Gilberto Gil, com quem  defendeu uma música feita em parceria com o maridão e surgiu para o grande público.

Mas o que marca o filme é a contemporaneidade da artista no dia a dia, e sua já conhecida dedicação e sensibilidade na interpretação das canções, gravadas sempre na presença dos irmãos Dori e Danilo.

Ao fim do filme, dá vontade de correr para a loja mais próximas e comprar todos os discos da diva.

Tags: ana caymmi, paulo marcio vaz

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