Jornal do Brasil

Quinta-feira, 2 de Outubro de 2014

Esportes - JB na Copa

Em alta, James Rodriguez "escapou" de espanhóis e ingleses

Portal Terra

Leonel Messi, Neymar, Cristiano Ronaldo, Thomas Müller... Todos eles ficaram em segundo plano na primeira fase da Copa do Mundo de 2014. Até aqui, o astro do torneio tem sido James Rodríguez, o camisa 10 da Colômbia. Com cinco gols em quatro jogos, o meia-atacante colombiano do Monaco (França) é o artilheiro do torneio, o que o coloca na mira de grandes clubes do futebol europeu – algo que não é exatamente uma novidade.

É quase regra: todo jogador que se destaca em clubes sul-americanos ou em equipes de menor escalão da própria Europa entra rapidamente no radar de Barcelona, Real Madrid, Arsenal, Liverpool, Manchester United e por aí vai. Com Rodríguez, não é diferente. Desta vez, porém, a tendência é que os clubes não o deixem escapar pelos dedos pelos mais diversos motivos, como já aconteceu antes.

Nascido na cidade de Cúcuta (Colômbia) em 12 de julho de 1991, James David Rodríguez Rubio mudou-se com a família ainda jovem para Ibagué. Aos 14 anos, começou a jogar pelas categorias de base do Envigado, pelo qual se profissionalizou em 2007. No mesmo ano, o clube subiu para a primeira divisão do Campeonato Colombiano. Com apenas 30 jogos (e nove gols), Rodríguez trocou a equipe pelo Banfield (Argentina) já em 2008.

Pelo Banfield, estrou apenas no Apertura de 2009, justamente no torneio que daria à equipe seu principal título nacional – o principal herói do clube na conquista, no entanto, foi o uruguaio Santiago ‘El Tanque’ Silva, aquele. Naquele torneio, James Rodríguez disputou 18 partidas e marcou três gols. A explosão, porém, aconteceria apenas no ano seguinte, na campanha do Banfield pela Copa Libertadores de 2010.

Na fase de grupos, o time disputou seis jogos, vencendo três e empatando dois. Rodríguez marcou quatro gols. Nas oitavas de final, marcou mais um no duelo diante do Internacional – o clube gaúcho perdeu na Argentina por 3 a 1, venceu em casa por 2 a 0 (com Rodríguez expulso) e só avançou às quartas (e ao título mais tarde) pelos gols marcados fora de casa. Ruim para o Banfield, mas era a certeza da consolidação de James Rodríguez no futebol sul-americano.

Neste momento, o colombiano já era presença frequente nas seleções de base de seu país, disputando inclusive o Mundial Sub-17 de 2007. O mercado europeu já estava de olho – e foi por pouco que o Banfield não perdeu seu jovem astro para o futebol espanhol em 2009, antes mesmo da campanha na Libertadores.

No fim daquele ano, um olheiro do Espanyol havia indicado o jovem colombiano, 18 anos, ao então diretor esportivo do clube, Ramon Planes. O dirigente gostou a sugestão e colocou Rodríguez como uma prioridade para 2010, e o negócio só não saiu porque, bem, faltou assinar.“Estava quase tudo acertado. Ele esteve muito, muito perto de assinar”, diz uma fonte da diretoria do clube ao jornal Sport, de Barcelona.

“Falaram que ele era quase desconhecido (em 2009) porque jogava pouco no Banfield. A verdade é que foi difícil para nós vê-lo jogando, ainda que tivéssemos feito um acompanhamento. Falei com o treinador do Banfield, (Júlio César) Falcioni, e ele me disse que era um jogador diferente de todos. Que não jogava porque era jovem, mas que seria um craque. Depois dessa conversa, e pelo que vimos, decidimos contratá-lo”, afirmou Planes.

O próprio Planes falou com o jogador e com seu empresário. James Rodríguez seria titular do Barcelona – o técnico do clube na época, Mauricio Pochettino (hoje no Tottenham), chegou a conversar com ele na negociação. A negociação se prolongou ao longo do primeiro semestre, até que o Espanyol foi à Argentina com 5,5 milhões de euros (R$ 16,5 milhões em valores atuais) para fechar. Só que aí...

Aí apareceu o interesse de Portugal. O Benfica manifestou o desejo de contar com o meia-atacante e inflacionou a oferta. Mais tarde, o Porto entrou na briga e levou o jogador. “O Porto chegou e assinou contrato em 24 horas. Ficamos sem opção”, afirmou Planes. Curiosamente, a oferta do Porto foi inferior à do Espanyol: 5,1 milhões de euros, ou R$ 15,3 milhões em valores atuais.

Na Inglaterra, foi descartado duas vezes

Naquela época, o Manchester United estava se acostumando a buscar reforços do outro lado do Oceano Atlântico. Do Brasil, trouxe os gêmeos Fábio e Rafael em 2008. No ano seguinte, foi a vez do equatoriano Antonio Valencia (que já acumulava passagens por clubes europeus). Em 2010, foi ao México em busca de Chicharito Hernandez. E James Rodríguez, soube-se depois, também esteve próximo de um acerto.

Foi justamente na época em que o Manchester United foi a Guadalajara para contratar Chicharito. Rodríguez – ainda no Banfield que disputava a Copa Libertadores – foi oferecido ao clube por agentes, que acreditavam na possibilidade de incluí-lo no “pacote” por 6,5 milhões de libras (atualmente R$ 24,4 milhões). A primeira resposta foi um não.

Cinco semanas depois, o time de Alex Ferguson pagou 7,4 milhões de libras (mais de R$ 27 milhões em valores atuais) para contratar o atacante português Bebé junto ao Vitória de Guimarães. Conhecido por seu triste histórico familiar, Bebé – que chegou a morar no orfanato de uma igreja após ser abandonado pelos pais – jogou apenas duas partidas pelo Manchester United e hoje está no Paços de Ferreira.

Neste intervalo, o Porto contratou James Rodríguez e não se decepcionou. Entre 2010 e 2013, o clube conquistou três vezes o Campeonato Português (2011, 2012 e 2013), uma vez a Taça de Portugal (2011) e a Liga Europa (2011). Neste intervalo, outros colombianos brilharam no clube, como Radamel Falcao García (2009 a 2011) e Jackson Martínez (desde 2012).

Talvez arrependido, o Manchester United foi novamente atrás de James Rodríguez no final da temporada 2012/2013. O Porto, bom de negociação, pediu 40 milhões de euros (R$ 120 milhões), e o Manchester United descartou a contratação mais uma vez. O Monaco, por sua vez, ofereceu 45 milhões (R$ 135 milhões) e levou o colombiano para disputar o Campeonato Francês. Na primeira temporada, foram 38 jogos, 10 gols e 12 assistências pela equipe monegasca.

Em plena ascensão, Rodríguez já começa a aparecer em insinuações na imprensa europeia. O jornal Marca, da Espanha, já foi resgatar uma “entrevista” que ele deu aos 11 anos, na qual diz que gostaria de jogar pelo Real Madrid. Vai jogar depois da Copa do Mundo? Seja qual for o destino do camisa 10 da Colômbia, os clubes europeus estão atentos: vale a pena investir um pouco mais para não deixar a chance passar.

Tags: artilheiro, COLÔMBIA, Copa, james, jogador

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