Jornal do Brasil

Terça-feira, 21 de Outubro de 2014

Esportes - JB na Copa

Argelinos já miram vingança contra "Anschluss" alemã de 1982

Portal Terra

Já se passaram 32 anos, mas parece que os argelinos ainda não esqueceram. Foi na Copa do Mundo de 1982, na Espanha, quando a seleção da Alemanha se tornou inimiga número 1 do país africano, graças a uma vitória por 1 a 0 sobre a Áustria, em Gijón, que eliminou a Argélia na primeira fase da competição. Não haveria problema se o jogo não tivesse sido disputado em ritmo de treino, com o resultado satisfazendo os dois europeus desde o primeiro gol aos 10min de bola rolando. Agora, nas oitavas de final da Copa de 2014, o reencontro entre Argélia e Alemanha é visto como vingança.

A vitória da Alemanha Ocidental sobre a Áustria em 82 ficou conhecida por alguns nomes – a Desgraça de Gijón, o Pacto de Não-Agressão –, mas na Argélia, o jogo é mais lembrado como Anschluss, nome dado à anexação do território austríaco pela Alemanha nazista em 1938. As feridas daquela partida só foram parcialmente sanadas neste ano, quando a Argélia conseguiu pela primeira vez avançar às oitavas de final, superando Rússia e Coreia do Sul no Grupo H.

As ramificações da armação implícita entre austríacos e alemães foram grandes: o jogo foi a gota d'água para a Fifa adotar, a partir do Mundial de 1986, a medida de realizar as partidas da rodada final da fase de grupos simultaneamente. Na Argélia, porém, elas impactaram mais fundo. Nas redes sociais, fãs da seleção africana e sites que acompanham o esporte do país já falam em revanche pela "Anschluss" do futebol.

Os alemães são claros favoritos para o duelo marcado para as 17h (de Brasília) desta segunda-feira, no Beira-Rio, em Porto Alegre, mas os argelinos também têm na história um motivo extra para acreditar na zebra. Afinal, em 1982, eles também eram franco-atiradores diante da Alemanha Ocidental, mas surpreenderam o mundo ao vencer na estreia por 2 a 1 – resultado que, no fim das contas, não foi suficiente para a classificação.

O time atual da Argélia pode não ter um jogador do quilate de Madjer, atacante que marcou um dos gols da vitória sobre os alemães em 82 e é considerado o maior da história do país, mas conta com uma base defensiva sólida e um ataque veloz para surpreender no contra-ataque os dominantes alemães. Três décadas depois da "Desgraça de Gijón", cabe a Feghouli, Slimani e companhia tentar remediar uma injustiça histórica.

Tags: argélia, copa do mundo, futebol, nazismo, revanche, rivalidade

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