Jornal do Brasil

Terça-feira, 21 de Outubro de 2014

Esportes - JB na Copa

Médico defende parada técnica aos 20 minutos na Copa 

Portal Terra

Mesmo no inverno, o calor no Brasil anda assustando na Copa do Mundo. Tanto os brasileiros como, ainda mais, os europeus. Por determinação dos médicos da Fifa, caso alguma cidade sede ultrapasse os 32 graus de temperatura, o jogo ganha, aos 30 minutos de cada tempo, uma parada técnica. “Deveria ser aos 20 minutos”, contesta o médico especialista em nutrição Carlos Werutsky. “Reidratada todo mundo e todos têm condição de se recuperar e jogam bem até 45 minutos. Parando aos 30 minutos, muitos podem chegar desidratados a essa parte do jogo”, explica.

A parada técnica ainda não é obrigatória na Copa, de acordo com a Fifa. Apenas um árbitro, em Manaus, no jogo Estados Unidos e Portugal, esticou um pouco mais o intervalo da partida. A parada é definida por um conjunto de temperatura, umidade relativa do ar, inclinação solar e vento. “É o que chamamos 'estresse térmico'. E no Brasil pode variar de um lugar para outro. Em Brasília, por exemplo, pode estar com 40% de umidade mas com 33 graus, o que já é um complicador, porque a radiação vai no alto junto com a temperatura. Manaus é o contrário, umidade relativa alta e temperatura alta”, cita Werutsky, lembrando das reclamações do técnico português Paulo Bento, que teve que enfrentar os dois exemplo.

Para o médico, o que faltou a vários times europeus que se queixam do calor é o tempo de aclimatação no País. “Quanto mais o jogador está adaptado àquela ambiente, melhor. Quanto mais despreparado ele estiver, vindo de lesão, por exemplo, maior o risco”, diz, citando que há estudos na série A do Brasileiro de que 60% dos jogadores entram em campo desidratados: ou por má alimentação ou por deficiência na ingestão de líquidos (não apenas água, mas líquidos com sais minerais). “Se um atleta profissional necessita de 4 mil calorias por dia, em conforto térmico de 23 graus, ele precisaria de quase 5 litros de água por dia. Se passa de 30 graus, a necessidade aumenta para 7 litros. Será que eles conseguem ingerir tudo isso?”, questiona.

Apesar de tudo isso, o médico acha que acusar o calor pelo fraco rendimento das equipes europeias na Copa do Mundo é um exagero, mas aceita as dificuldades. “Um time joga em Porto Alegre e depois vai para o Ceará. Realmente é difícil. Temos um País muito grande. O ideal seria deixar regiões de climas frios para os europeus e deixar jogos no Norte e Nordeste para os africanos”, brincou. “Os suíços iriam adorar ficar em Teresópolis”, disse, se referindo ao local de treinos da seleção Brasileira, na serra carioca, onde a temperatura média nessa época do ano é de 18 graus.

Com a aproximação do Ramadã, mês sagrado para os muçulmanos, onde o jejum completo durante o dia é obrigatório, Carlos Werutsky não vê assim tantos problemas. “Eles já estão adaptados a essa condição. A crença os leva, até certo ponto, a se pouparem naquele dia de jogo. Fazem até uma reidratação maior fora do tempo de jogo. A grande discussão é: como eles têm que se alimentar durante a noite, passam a ter poucas horas de sono e prejudicam a reserva muscular. Mas em um esporte como o futebol não existe o risco tão grande. Se fosse uma maratona seria pior", constatou.

Apesar de as temperaturas estarem baixando com a chegada do mês de julho, o calor promete seguir forte e as partidas vão ganhar um novo nível de disputa, ainda mais intensas, e com possibilidades de prorrogação e disputa por pênaltis. E isso vai requerer das equipes maior preocupação com a hidratação dos jogadores. “A avaliação é individual. Cada jogador tem uma necessidade e precisam se alimentar bem e se hidratar melhor.”

Tags: água, calor, Copa, Mundo, seleções

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