Jornal do Brasil

Sábado, 27 de Dezembro de 2014

Esportes - JB na Copa

Felipão pode repetir trajetória em Copas e abusar de trocas

Portal Terra

O técnico da Seleção Brasileira, Luiz Felipe Scolari, está em sua terceira Copa do Mundo e traz no currículo duas belas campanhas no passado: um título com o Brasil, em 2002, e um quarto lugar com Portugal, em 2006. Nos dois torneios que disputou,Felipão ficou marcado pelas modificações constantes que fez em suas equipes durante os Mundiais. 

O time que começou a campanha vitoriosa de 2002, por exemplo, contava com Juninho Paulista ao invés de Kleberson entre os titulares. Muitos se lembram do time da partida contra a Alemanha, na final, formado por: Marcos, Roque Júnior, Lúcio e Edmílson; Cafu, Gilberto Silva, Kleberson, Rivaldo e Roberto Carlos; Ronaldinho e Ronaldo. Porém, o que poucos vão se recordar é que essa formação atuou apenas duas partidas naquela Copa do Mundo: nas quartas de final contra a Inglaterra e na decisão contra os alemães. 

Durante aquele Mundial, por conta de suspensões, lesões ou para poupar jogadores, Felipão usou cinco times diferentes nos sete jogos que disputou. O zagueiro Ânderson Polga, pouco lembrado naquela conquista, atuou duas vezes como titular na primeira fase (uma substituindo Edmílson e outra Roque Júnior). O atacante Edílson foi outro que começou duas partidas entre os 11 iniciais (ambas no lugar de Ronaldinho, contra Costa Rica e na semifinal com Turquia). 

Se na conquista do título de 2002 foi assim, com Portugal de 2006 foram feitas mais modificações ainda nas equipes de Scolari. Do time que começou a campanha daquele Mundial, com vitória sobre Angola por 1 a 0, três jogadores não atuaram na derrota da semifinal diante da França, por 1 a 0.

Durante o Mundial realizado na Alemanha, Felipão começou com um esquema 4-3-3 para acabar em um 4-5-1. Os intactos naquela equipe foram os cinco jogadores do setor da defesa (o goleiro Ricardo, os laterais Miguel e Nuno Valente e os zagueiros Fernando Meira e Ricardo Carvalho), além do meia Figo e dos atacantesCristiano Ronaldo e Pauleta. Jogadores como o luso-brasileiro Deco, além dos volantes Maniche e Costinha também atuaram com uma certa frequência naquela Copa, mas não em quase todos os jogos como os oito citados acima.

Em 2014, Felipão dá mostras de que manterá essa sua trajetória em campanhas de Copa do Mundo. Já no segundo jogo frente aos mexicanos, ele não começou com a mesma equipe que estreou contra a Croácia e que foi campeã com folga da Copa das Confederações de 2013.

A troca de Hulk por Ramires foi causada principalmente pela falta de confiança do atacante, após sentir um desconforto muscular na coxa. Porém, Scolari dá sinais de que outras mudanças podem vir a ocorrer durante a participação da Seleção Brasileira na competição.

Além de manter dúvida sobre o retornou ou não do camisa 7 ao time titular, outros dois nomes vem sendo bastante criticados por torcedores e jornalistas e podem entrar na corda bamba: o volante Paulinho e o atacante Fred. Ambos tiveram atuações decepcionantes nos dois confrontos iniciais e podem correr o risco de ficar fora do time principal na sequência da competição. 

Paulinho tem como sombra nomes como os de Fernandinho, Hernanes e o próprio Ramires, que ainda não sabe se permanecerá ou não na equipe. Caso Felipão queira proteger um pouco mais a equipe, principalmente a questão de recomposição do setor defensivo com as subidas de Marcelo e Daniel Alves, a opção seria a entrada do jogador do Manchester City. Se achar que falta uma saída de bola melhor, o treinador pode optar por Hernanes ou Ramires.

Já Fred, que é a principal esperança de gols da equipe verde e amarela, passou em branco nas duas partidas. No duelo contra os mexicanos, ele foi substituído por Jô e viu o reserva fazer melhor a função de pivô do que ele. Felipão pode dar um voto de confiança ao camisa 9, assim como fez na Copa das Confederações, e acabou dando resultado.

Porém, caso opte pela saída do jogador já no duelo contra Camarões, a troca natural seria pela entrada de Jô na posição. O treinador pode também abdicar de ter a presença de um centroavante na equipe, avançar Neymar como um falso 9 e promover a entrada de jogadores como o meia Willian ou o atacante Bernard. 

No grupo atual da Seleção Brasileira, os jogadores titulares tentam passar tranquilidade com o risco de irem parar no banco de reservas. "Existe totalmente a consciência do que é o futebol, da dinâmica dentro e fora do campo. Jogador quando sai de um time nunca fica feliz, mas para ele ser top tem que ser grande em todos momentos e assimilar quando pode voltar para o time. Uma Copa do Mundo com dois cartões amarelos pode ter mudança na equipe. Com esse regulamento tem que ter um grupo muito forte, tem que ter a reposição. Isso é parte do futebol, são coisas que você está vivendo e jogador que costuma se abater não tem o perfil para estar aqui. Acho que todos têm a consciência do que estão vivendo", disse o zagueiro David Luiz.

Tags: escalação, Felipão, seleção, time, trocas

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