Jornal do Brasil

Segunda-feira, 28 de Julho de 2014

Esportes - JB na Copa

Taxistas do Rio reclamam de sul-americanos: "estão duros"

Portal TerraAndré Naddeo

A Zona Sul do Rio de Janeiro concentra a maior parte dos turistas estrangeiros que foram ao Brasil para a Copa do Mundo. Enquanto setores como hotelaria, restaurantes e bares comemoram a presença dos gringos, a ala dos taxistas se queixa e muito do baixo faturamento neste Mundial da Fifa. A queixa principal gira em torno de chilenos e argentinos, em maioria na capital fluminense nestes primeiros dois jogos, em função das partidas de ambas as seleções no Maracanã.

"Estes chilenos e argentinos estão sem dinheiro. Estão todos duros", reclamou Auguysto Rodrigues, na "praça", como costumam dizer os taxistas, há oito anos atuando apenas na zona sul do Rio. "Outro dia um argentino me implorou por uma carona. Dá para acreditar?". Ele afirma que está trabalhando 14 horas por dia, "mas não estou faturando os R$ 500 por dia que esperava, só R$ 250, às vezes R$ 300".

Eronildes reclama da movimento fraco
Eronildes reclama da movimento fraco

Muitos dos argentinos e chilenos que foram acompanhar as partidas contra Bósnia e Espanha, respectivamente, no Rio de Janeiro chegaram em caravanas, o que também fez com que o deslocamento nos tradicionais carros amarelos se tornasse desnecessário. Há ainda o fato de que muitos estão acampados em locais como a Rodoviária Novo Rio, no centro.

"Peguei acho que umas seis pessoas, entre chilenos e argentinos. É muito pouco perto da quantidade de gente que está aqui", lamentou o taxista Eronildes do Nascimento, há 12 anos trabalhando num ponto de esquina com a avenida Princesa Isabel, em Copacabana. "Ninguém se locomove, ficam todos por aqui, pegam ônibus. Não tem sido financeiramente uma boa para gente essa Copa".

Há mais de 40 anos dirigindo pelo Rio de Janeiro, Raimundo de Abreu também confirma a tese de que os vizinhos sul-americanos não estão ajudando a categoria, muito embora afirme que "todo mundo sabe que eles vieram sem muito dinheiro, não adianta ficar reclamando agora". Ele não se diz incomodado, fala que "os argentinos e chilenos são gente boa", muito embora o faturamento "não está sendo aquilo que a gente esperava".

Direto de Córdoba, na Argentina, para o Rio de Janeiro, Emanuel Fernandez confirma que não viajou com muito dinheiro mesmo, mas rebate: "a gente já gasta com casa para alugar, comida, bebida, ingresso, e ainda querem que a gente use táxi?".

Fernando Gutierrez veio de Santiago do Chile e, se os taxistas lamentam o baixo faturamento, ele também tem na ponta da língua a sua reclamação. "Outro dia estava na Lapa (zona boêmia) e um taxista quis cobrar um preço fixo para me trazer até Ipanema. Não acho isso justo, tem que ser no taxímetro", apontou. Muito embora a Prefeitura do Rio atue em fiscalizações cotidianas neste aspecto, Jorge Luiz Lins, taxista há 35 anos, confirma que alguns colegas fazem mesmo corrida "no tiro", e se diz até envergonhado ao dizer que é honesto: "já não basta os ladrões nas ruas, agora tem taxista querendo roubar turista também".

Serviços de hotéis

Outra questão que os taxistas do Rio levam em consideração no quesito baixo faturamento diz respeito aos pacotes fechados por turistas que se concentram, principalmente, nos hotéis da zona sul da capital fluminense.

"O turista que está em situação melhor fechou pacote direto com agências, e os hotéis providenciam tudo para o transporte. Eles não precisam de táxi. Quando saem para jantar, ficam por perto do hotel. Nada está ajudando a gente mesmo", reclamou também Ronaldo Rodrigues, há 14 anos dirigindo "por qualquer parte da cidade maravilhosa".

Hospedado no hotel Windsor Copacabana, também na zona sul, o inglês Gary Willians se preparava para entrar num ônibus de uma agência de turismo, por onde comprou um pacote para a Copa do Mundo, quando foi indagado pela reportagem do Terra sobre a razão de não utilizar os táxis do Rio. "Eu e meus amigos fechamos pacote por acharmos mais seguros. Ouvimos alguns relatos de violência, e não sentimos muita confiança no serviço. Foi mais por uma questão de segurança mesmo", explicou o turista, fã da já eliminada seleção inglesa.

Tags: copa do mundo, movimento, Rio de Janeiro, taxistas, turistas

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