Jornal do Brasil

Domingo, 21 de Setembro de 2014

Esportes - JB na Copa

Torcida americana mostra nacionalismo apaixonado na Copa

Portal Terra

O Iraque à beira da guerra civil, a lenta recuperação econômica e todas as outras mazelas que poderiam tirar o sono dos americanos não derrotam a combinação de amor ao futebol e zelo nacionalista, pelo menos não no labiríntico bar Nevada Smiths, localizado numa região de Manhattan chamada East Village.

Depois de lotar os três andares do “sports bar” – cujo principal atrativo são inúmeros telões exibindo esportes – a urbe celebrou a vitória por 2 a 1 dos EUA contra Gana, na Copa do Mundo, espirrando para a calçada e cantando na rua em pleno início de noite de segunda-feira.

Multidões assistiram à partida na Califórnia e em Chicago, celebrando um esporte cuja presença nos Estados Unidos ainda é tímida se comparada ao poder do footbal, do beisebol e do basquete. Sem falar nas corridas Nascar e seu circuito oval. Mas nem todos os esportes oferecem aos americanos a oportunidade de brilhar no palco de um dos poucos eventos verdadeiramente globais.

Muitos vestiam a camisa da seleção americana e alguns se embalavam no pendão listro-estrelado. Uns tentavam improvisar com roupas que lembrassem a bandeira azul, vermelha e branca. Sua paixão esportiva não difere dos que assistem a um jogo da seleção nacional de Bagdá a Salvador. Berros extremados quando há o gol; silêncio ansioso quando marca o rival. Farto consumo de cerveja e outras bebidas. Tudo isso ladeado de camisas autografadas e outra relíquias do futebol, emprestando um ar de relicários àquela profana catedral esportiva: o Nevada Smiths, capitaneado por um irlandês e cujo lema é “onde o futebol é religião”, é um dos bares de futebol mais tradicionais de Nova York.

A torcida no Nevada Smiths era variada: brancos e negros misturados a jovens trabalhadores saindo do escritório ou garotas de shortinho.

Quando o terceiro andar ficou quente demais depois do rápido primeiro gol americano, a sala esvaziou com o fluxo de entrada e saída de fumantes, novos torcedores e tudo mais que os cinco leões de chácara podiam controlar.

O ambiente estava um pouco exagerado para Marlon Wright, de 42 anos. Nascido na Jamaica, ele viveu a maior parte da vida nos EUA. Costumava frequentar o bar todo o dia quando estava na faculdade. Era o refúgio onde podia acompanhar o futebol inglês, do qual é fã. Ele gosta do time americano e até esmurra a parede quando marca o gol, mas não carrega ilusões: “o Brasil vai ganhar a Copa.”

No fim, cerca de 70 pessoas transbordam na rua aos gritos de “USA! USA! USA” e cantorias de “Seven Nation Army”, do White Stripes. A empolgação durou cerca de trinta minutos. Quando a ressaca certamente já ameaçava alguns, uma parte voltou para dentro e outra se dispersou.

Em volta, as sempre movimentadas ruas do East Village não chegavam ao frenesi descrito por F. Scott Fitzgerald (1896 –1940) no conto “May Day”, quando tratou do retorno dos pracinhas da Primeira Guerra que eletrizou a cidade a um transe de vitória. Se o cronista da alma americana em “O Grande Gatsby” passasse pelo East Village naquele momento final, não é absurdo imaginar que concordasse com a semelhança do espírito, pois havia uma carga no ar, de uma nação celebrando coletivamente a boa aventurança no cenário mundial.

Tags: 2014, brasil, EUA, Mundial, Torcida

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