Jornal do Brasil

Quarta-feira, 22 de Novembro de 2017

Jazz

NEA elege três novos jazz masters

Luiz Orlando Carneiro

Anualmente, desde 1982, a National Endowment for the Arts confere o título de jazz mastera “lendas vivas” do jazz, em reconhecimento a suas “contribuições excepcionais” para o desenvolvimento desse modo de expressão musical. A NEA é uma agência independente do governo dos Estados Unidos, sediada em Washington, que apoia e financia projetos de arte “de particular excelência”.

No último dia 12, a NEA anunciou a escolha dos três músicos que vão receber, cada um, o prêmio (US$ 25 mil) referente ao ano de 2018: o guitarrista Pat Metheny, a pianista Joanne Brackeen e a vocalista Dianne Reeves. Foi também premiado, na categoria especial de “advogado do jazz”, o produtor musical Todd Barkan, que abriu e gerenciou (1972-1983), em San Francisco, o Keystone Korner, um dos mais “históricos” clubes de jazz dos Estados Unidos.

Pat Metheny, Joanne Brackeen (foto) e Dianne Reeves vão receber prêmios de US$ 25 mil
Pat Metheny, Joanne Brackeen (foto) e Dianne Reeves vão receber prêmios de US$ 25 mil

O release da NEA informa que os prêmios serão entregues em 16 de abril do próximo ano, em cerimônia-concerto a ter lugar no John F. Kennedy Center for the Performing Arts. E assim (*) qualifica os novos "mestres do jazz":

*Pat Metheny (guitarrista, compositor, educador) - “Metheny reinventou o tradicional som da guitarra jazzística, introduzindo um potencial sônico muito original e, ao mesmo tempo, criando um profundo acervo em termos de insight improvisacional e de musicalidade. Enquanto sua música resiste a qualquer descrição mais fácil, suas composições cobrem um amplo leque de opções, do jazz moderno ao rock, do country ao clássico”.

[A entronização de Metheny, 62 anos, como jazz master pela NEA até que demorou. O prodigioso e heterodoxo guitarrista-compositor já foi distinguido 20 vezes com o Grammy. A principal premiação foi em 2013, na categoria “melhor álbum de jazz instrumental”, por conta do CD Unity Band (Nonesuch) – uma seleção de nove composições de sua lavra, interpretadas em quarteto com os também notáveis Chris Potter (saxes tenor e soprano), Antonio Sanchez (bateria) e Ben Williams (baixo). Naquele mesmo ano, ele foi introduzido no cobiçado Hall of Fame da revista Downbeat.]

* Joanne Brackeen (pianista, compositora, educadora) - “Em qualquer formação musical – solo, duo, quarteto ou quinteto, o estilo único da pianista Brackeen exige atenção. Além de suas cativantes e complexas improvisações, ela tem escrito composições audaciosas, ritmicamente intrincadas, num amplo espectro estilístico”.

[Brackeen, 78 anos, fez-se notar, no fim da década de 1960, como integrante dos Jazz Messengers de Art Blakey. Firmou sua reputação, na década seguinte, nos conjuntos dos grandes saxofonistas Joe Henderson e Stan Getz. E também, como líder, em dois álbuns para o selo Concord: Fi-Fi Goes to Heaven (1986) e Live (Solo) at Maybeck Recital Hall (1989). Nos anos recentes, tem se dedicado mais à sua cadeira de professora no célebre Berklee College of Music, Boston. Dona de um estilo denso, de direcionamento rítmico-melódico imprevisível, a pianista propõe uma espécie de síntese, com tempero original, de sabores marcantes da arte de Thelonious Monk, Chick Corea, McCoy Tyner, e até mesmo Cecil Taylor].

* Dianne Reeves (vocalista) - “Reeves consegue, sem esforço, cantar em qualquer estilo, com o privilegiado alcance de sua voz. Sejarhythm and bluesgospel ou pop. Mas o jazz sempre foi – e continua sendo – a sua fundação musical”.

[Dianne Reeves, 60 anos, ganhou o Grammy 2015, na categoria “melhor álbum de jazz vocal”, com Beautiful Life (Concord), uma seleção de 12 faixas, à frente de conjuntos integrados, dentre outros, por Terri Lyne Carrington (baterista, produtora), Esperanza Spalding (baixo), Robert Glasper ou Geri Allen (piano)]. 

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