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Os melhores pequenos conjuntos da história do jazz

Jornal do Brasil Luiz Orlando Carneiro

Na celebração do seu 45º aniversário, a referencial revista JazzTimes promoveu uma eleição com mais de 60 músicos e críticos do seu staffpara chegar a uma lista final dos “45 maiores pequenos conjuntos da história do jazz”. O editor Evan Haga pediu aos eleitores que selecionassem entre cinco e 10 combos (de trios a nonetos) por eles considerados os mais representativos e criativos, em termos de “comunicação, empatia e de confluência única de personalidades individuais”.

Computados os votos, os cinco primeiros colocados na lista dos “greatest small groups in jazz history” foram, pela ordem, os seguintes:

1) O chamado “quarteto clássico” do saxofonista John Coltrane, aquele que gravou para a Impulse, em 1964, A Love Supreme (McCoy Tyner, piano; Jimmy Garrison, baixo; Elvin Jones, bateria).

2) O “Second Great Quintet” (1964-68) do trompetista Miles Davis (Wayne Shorter, sax tenor; Herbie Hancock, piano; Ron Carter, baixo; Tony Williams, bateria), cujos registros mais importantes foram Miles Smiles (1967) e Nefertiti (1968).

Quarteto de John Coltrane foi o mais votado em enquete da revista 'JazzTimes' 

3) O quarteto do saxofonista alto Ornette Coleman que, em 1959, lançou o free jazz em dois LPs com títulos mais do que marcantes: The Shape of Jazz to Come (Contemporary) e Change of the Century (Atlantic). Os parceiros de Ornette eram Don Cherry (trompete), Charlie Haden (baixo), Ed Blackwell ou Billy Higgins (bateria).

4) O “The First Great Quintet/sextet” (1955-58) do trompetista Miles Davis (Cannonball Adderley, sax alto; John Coltrane, sax tenor; Red Garland, piano; Paul Chambers, baixo; Philly Joe Jones, bateria). Ou seja, o quinteto de Round About Midnight (Columbia, 1956) e o sexteto (com Adderley) de Milestones (Columbia, 1958).

5) Os conjuntos históricos Hot Five e Hot Seven (1925-28), à frente dos quais Louis Armstrong – o primeiro gênio do jazz – promoveu a transição da improvisação coletiva rudimentar para a improvisação individual (solos) no sentido da expressão da personalidade.

Estes cinco legendários combos mereceram comentários de músicos-eleitores de renome escolhidos pela JT. O saxofonista Dave Liebman, por exemplo, escreveu que Coltrane e seus acólitos do quarteto de A Love Supreme “mudaram o curso da música para sempre”.

No entanto, registros fundamentais dos quintetos de Charlie Parker – o genial saxofonista que, sem dúvida nenhuma, mudou o curso do jazz nas duas décadas anteriores – ficaram em nono e décimo lugares na lista ambiciosa da JazzTimes. Respectivamente: O Charlie Parker/Dizzy Gillespie: The Quintet (Debut/Prestige, 1953), que foi qualificado, em reedições sucessivas em LP e CD, como The GreatestJazz Concert Ever (Bud Powell, piano; Charles Mingus, baxo; Max Roach, bateria); as sessões Dial do quinteto de 1947 (Miles Davis, trompete; Duke Jordan ou Bud Powell, piano; Max Roach, bateria; Tommy Potter, baixo).

Na enquete promovida pela JT, chegaram à frente dos quintetos de Parker - nas sexta, sétima e oitava posições – os seguintes conjuntos: o trio do pianista Bill Evans de 1959-61 (Scott LaFaro, baixo; Paul Motian, bateria); os Jazz Messengers do baterista Art Blakey da primeira metade da década de 1960 (Freddie Hubbard, trompete; Curtis Fuller, trombone; Wayne Shorter, sax tenor; Cedar Walton, piano; Jymie Merritt, baixo); o fusionista Weather Report (1976-81), liderado pelo tecladista Joe Zawinul, com Wayne Shorter (sax), Jaco Pastorius (baixo elétrico) e percussão. 

Os outros cinco mais votados da lista dos “the greatest small groups in jazz history” foram: o Art Ensemble of Chicago (Lester Bowie, Malachi Favors, Joseph Jarman, Roscoe Mitchell, Don Moye); o “Standard Trio” do pianista Keith Jarrett (Gary Peacock, baixo; Jack DeJohnette, bateria); o Modern Jazz Quartet (John Lewis, Milt Jackson, Percy Heath); o quinteto Max Roach/Clifford Brown (1954-56).



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