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Terry Gibbs lança novo álbum aos 92 anos

Jornal do Brasil Luiz Orlando Carneiro

Em outubro do ano passado, o vibrafonista Terry Gibbs comemorou o seu 92º aniversário no recesso do lar, oficialmente aposentado. Mas, por incrível que pareça, com saúde invejável e articulação físico-mental suficiente para ainda tocar, com engenho e arte, um instrumento percussivo com mais de 30 placas de metal que têm de ser feridas por duas ou quatro baquetas (mallets).

A prova da possibilidade de tal proeza é o CD 92 Years Young: Jammin’ at the Gibbs House, que vem de ser lançado pelo selo Whaling City Sound. São ao todo 14 faixas, entre 3m30 e 6m50, gravadas durante quatro dias de maio de 2016, no living room da casa do célebre vibrafonista.

De acordo com o release da gravadora independente, a maioria das faixas foi registrada num único take; os arranjos “foram discutidos brevemente pouco antes de serem tocados, ou simplesmente não foram”; e “não houve nenhum ensaio”. Os músicos reunidos em quarteto nessas jam sessions pelo nonagenário líder foram o seu filho Gerry, 53 anos, baterista de prestígio nos palcos e estúdios da California e de Nova York; John Campbell (piano); Mike Gurrola (baixo).

Registro do vibrafonista foi feito à frente de um quarteto na sua casa

Os jazzófilos mais idosos devem se lembrar de discos com a participação de Terry Gibbs nas orquestras de Woody Herman (1948-49) e de Benny Goodman (1950-52). Em 1957, o vibrafonista fez sucesso em Los Angeles, trabalhando em estúdios e à frente da sua Dream Band, que tinha arranjadores do quilate de Bill Holman e Bob Brookmeyer, e solistas da expressão de Conte Candoli (trompete) e Pete Joly (piano). Na década de 1960, o vibrafonista foi diretor musical do Steve Allen Show, na televisão. Nos anos 80 e 90 coliderou um quinteto com o clarinetista Buddy DeFranco. O último álbum em que apareceu como líder foi Findin' the Groove (Jazzed Media, 2006), ao lado do flautista Hubert Laws, já contando com o seu filho Gerry Gibbs na bateria.

Agora, neste álbum que intitulou 92 Years Young – e não 92 Years Old – Terry Gibbs realmente impressiona ao flanar, com desenvoltura e apoio efusivo da seção rítmica, a partir de standards muito queridos dos jazzófilos, como Indiana (4m35); Yesterdays (5m40), aquela antiga balada de Jerome Kern; The shadow of your smile (5m45), de Johnny Mandel, tema do filme The Sandpiper (“Adeus às Ilusões”), 1965, de Vincente Minelli; Autumn Leaves (6.40); o jamais esquecido All the Things You Are (5m25); o também sempre lembrado What's New (4m50).

A propósito, a longevidade de percussionistas de jazz ainda ativos – mesmo que parcialmente – não é monopólio de Gibbs. O lendário baterista Roy Haynes, também com 92 anos completados em março último, estava tocando no Scullers, Boston, semana passada, à frente do quarteto por ele batizado de Fountain of Youth (Jaleel Shaw, saxes; Martin Bejerano, piano; David Wong, baixo).

Outros renomados drummers que ainda não penduraram definitivamente as baquetas, apesar do peso da idade são: Jimmy Cobb, 88 anos, que estava lá no quinteto de Miles Davis (1958-59) que gravou o antológico álbum Kind of Blue (Columbia); Louis Hayes, 80, anos que vem de lançar, à frente de um sexteto, o CD Serenade for Horace (Blue Note), revivendo 11 composições do grande Horace Silver (1928-2014).

(Samples do CD 92 Years Young: Jammin' at the Gibbs House estão disponíveis em:

http://br.napster.com/artist/terry-gibbs/album/92-years-young-jammin-at-the-gibbs-house).



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